Leonardo Augusto/Estadão
Leonardo Augusto/Estadão

Governo americano cobra ação mais 'agressiva' do Brasil para conter imigração ilegal

Departamento de Segurança Interna dos EUA diz que envolvimento brasileiro é importante para que o país seja considerado um 'bom aliado'; na sexta-feira, 24, chegou em Minas um voo com cerca de 70 deportados. Eles vieram algemados

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 18h51

BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos cobrou nesta segunda-feira, dia 27, uma ação mais “agressiva” por parte do Brasil para conter o fluxo de imigração ilegal para o país, dias depois de remeter a Minas Gerais um voo charter com cerca de 70 brasileiros deportados, parte deles transportados algemados.

O secretário-adjunto interino do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Ken Cuccinelli, afirmou que o fluxo de imigrantes brasileiros ilegais aumentou muito nos últimos anos, inclusive com pedidos de asilo. A administração do presidente Donald Trump exigiu uma postura diferente do governo Jair Bolsonaro e afirmou que o envolvimento do País para controlar a emigração é “parte importante” para ser considerado um “bom aliado”.

“O Brasil tem um número enorme de imigrantes ilegais vindo aos Estados Unidos e precisa encarar e lidar com isso de  forma mais agressiva do que fez no passado”, afirmou o secretário, em coletiva de imprensa. Cerca de 18 mil brasileiros foram detidos no ano passado tentando entrar nos EUA de forma clandestina.

“O Brasil tem sido um canal para pessoas mesmo de fora do Ocidente chegarem aos Estados Unidos. Queremos ver um patrulhamento melhor das fronteiras, mais segurança. Os países da América Central estão policiando as próprias fronteiras, protegendo melhor sua soberania. Esperamos ver o Brasil fazer mais isso, além de expedir o retorno de brasileiros que vieram ao nosso país ilegalmente. Essa é uma parte importante de ser um bom aliado.”

Entre outras medidas por parte do governo Bolsonaro, ele sugeriu que o Brasil deveria transportar de volta ao País, por conta própria, os brasileiros detidos nos Estados Unidos e reforçar a segurança interna das fronteiras. Atualmente, os voos são custeados pelo governo norte-americano - o Itamaraty é notificado, mas não controla as viagens. “Esperamos vê-los ter um papel mais ativo, como levar de volta em voos os próprios brasileiros”, exemplificou Cuccinelli.

Cuccinelli destacou a relevância econômica do Brasil no comércio exterior norte-americano e classificou o governo brasileiro como um "bom parceiro" na expedição de documentos que permitem a deportação. As autoridades dos dois países estão em tratativas sobre a repatriação de quem não foi admitido nos EUA. Sem dar detalhes, ele disse que o Departamento de Segurança Interna estuda alternativas à medida compulsória, no caso de famílias brasileiras.

“O Brasil tem sido um parceiro muito bom nos nossos esforços de repatriação. Nós temos visto muitas famílias entrando ilegalmente, então estamos buscando alternativas à repatriação”, disse o secretário norte-americano.

Ele ressaltou que os Estados Unidos têm regras para receber imigrantes latino-americanos legalmente e que esses recebem um tratamento “muito diferente” dos que optam por vias ilegais. O secretário disse ainda que o Brasil tem um grande papel a desempenhar na cooperação para uma abordagem “regional” do problema da imigração ilegal e que já há discussões em andamento com autoridades de vários países latinos, entre eles Brasil, México, Honduras, Guatemala e El Salvador - os quatro últimos na rota clandestina do fluxo de imigrantes.

Cuccinelli afirmou que todos os atos do governo Trump na política de fronteiras ajudam a proteger também pessoas vulneráveis, como mulheres e crianças, da ação de grupos criminosos e atravessadores, coites, e máfias de tráfico de pessoas e narcotraficantes. Procurado, o Ministério das Relações Exteriores disse que não iria se manifestar. 

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