Governo anuncia força-tarefa para tentar impedir tragédias das chuvas

Centros de monitoramentos serão criados nos locais mais afetados para avaliar áreas em risco até março

Rafael Moraes Moura e Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2012 | 19h32

BRASÍLIA - Atropelado pela sucessão de tragédias, o governo federal anunciou nesta segunda-feira, 9, a criação de uma força-tarefa formada por geólogos do Serviço Geológico do Brasil e hidrólogos da Agência Nacional de Águas (ANA) para atuar nas regiões mais atingidas pelas fortes chuvas que castigam o País. O objetivo do grupo é identificar as áreas sujeitas a deslizamentos e inundações em três Estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

O governo escalou hoje os ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Alexandre Padilha (Saúde) e Paulo Sérgio Passos (Transportes) para tratar do assunto com a presidente Dilma Rousseff. Segundo Mercadante, 2,5 milhões de pessoas já foram afetadas pelas chuvas.

A força tarefa de 50 especialistas deve se basear em informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para atuar preventivamente em áreas de deslizamento, no caso dos geólogos, ou de enxurradas, inundações e alagamentos, no caso dos hidrólogos.

"Equipes de um a dois geólogos e/ou hidrólogos devem se deslocar para áreas de risco potencial para avaliações preventivas in loco, de modo a informar a Defesa Civil sobre riscos iminentes de desastres", informou o Ministério da Ciência e Tecnologia. A equipe se soma a outros especialistas já em campo.

Por determinação da presidente, três centros de operação e monitoramento devem permanecer nesses Estados até o fim de março para atuar nas cidades mais afetadas pelas chuvas. Eles têm atuado em articulação com a Defesa Civil - não são estruturas fixas, podendo ser deslocadas para áreas de grande risco, informou o ministério.

O governo também trabalha para que as populações atingidas pelas chuvas tenham a antecipação do Bolsa Família e a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A Defesa Civil dispõe de R$ 444 milhões para prestar assistência às demandas de Estados e municípios.

Estradas. De acordo com o ministro dos Transportes, as chuvas intensas dos últimos dias afetaram 37 trechos de 16 rodovias federais, dos quais dos cinco ainda estão interrompidos.

Segundo Paulo Sérgio Passos, Minas Gerais é o Estado mais afetado, onde dez rodovias foram atingidas pelas chuvas: BRs 040, 116, 120, 135, 262, 267, 354, 356, 381 e 393. No Espírito Santo, as rodovias mais afetadas foram BRs 101, 259 e 262. No Rio de Janeiro, foi atingida a BR 356, em Goiás, as BRs 060 e 153 e no Mato Grosso, as BRs 163 e 364.

O ministro acrescentou que as próximas 24 horas são ainda de apreensão, diante dos alertas de chuvas intensas nessas regiões.

Prevenção. A ministra Gleisi Hoffmann refutou questionamento dos jornalistas de que, mais uma vez, o governo tenha se atrasado com as ações de prevenção às enchentes e desastres naturais da temporada de chuvas de verão. De acordo com Gleisi, as ações de prevenção às enchentes começaram há mais de quatro meses.

"Os ministérios da Integração Nacional e Ciência e Tecnologia estão trabalhando de forma integrada e há uma mobilização forte do governo. Talvez seja uma das vezes em que estamos trabalhando de forma mais integrada para dar resposta à população. Evitar mortes é prioridade número um", ressaltou Gleisi.

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