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Governo anuncia medidas à tarde e lentidão bate recorde à noite: 221 km

Prefeitura quer restringir circulação de veículos de carga e proibir estacionamento nos principais corredores

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

Às 19 horas, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contabilizou 221 km de congestionamento na capital paulista - o maior registro para o horário desde 2 de junho de 1999, embora a medição atual atinja 46% mais vias. Sete horas antes, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, anunciou um pacote de medidas para tentar melhorar o trânsito, incluindo restrições às cargas e ao estacionamento de veículos em horários de pico. Ao todo, 26,5% dos 835 quilômetros de vias monitoradas estavam congestionados à noite. O pior trecho eram as pistas expressa e local da Marginal do Tietê, sentido Lapa-Penha, onde o engarrafamento era de 15,4 quilômetros, desde a Castelo Branco até a Ponte da Vila Guilherme. No sentido oposto, a lentidão ia do Hospital da Vila Maria até a Ponte da Casa Verde. No Corredor Norte-Sul, formado pelas Avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães, sentido Aeroporto de Congonhas, a morosidade era de 8,7 quilômetros, desde a Praça da Bandeira até o Viaduto João Julião da Costa Aguiar."Esperamos que, a partir de abril, haja uma regressão muito grande no trânsito", disse o secretário. Moraes citou a Alameda Santos, nos Jardins, zona sul, e a Avenida Voluntários da Pátria, na zona norte, como exemplos de vias em que o estacionamento livre atrapalha a fluidez dos carros. Posteriormente, a assessoria do secretário teve de corrigi-lo: já é proibido o estacionamento na alameda.A ação anunciada pelo secretário, aliás, contradiz uma atitude do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Há nove meses, ele vetou o projeto de lei, aprovado pela Câmara, que restringia estacionamento de veículos nas principais ruas e avenidas do centro expandido de São Paulo. "A cidade não está preparada para essa lei", disse Kassab na época. Para o arquiteto e ex-vereador Nabil Bonduki, que coordenou a elaboração do substitutivo do Plano Diretor e do Projeto para Reestruturação do Sistema de Transporte do Município, na gestão Marta Suplicy, a decisão de restringir o estacionamento cria um problema para o comércio de rua e elitiza o uso do carro. "Quem pode pagar um estacionamento usa o carro do mesmo jeito. A solução é priorizar o transporte coletivo." Segundo Moraes, desde que ele assumiu a secretaria, em agosto, um grupo de estudos foi formado e mapeou 19 pontos de estrangulamento. "São locais que precisam de alteração de semáforo, sinalização ou pequenas obras." Um dos pontos citados, que deve entrar em reforma na próxima semana, é o Terminal Varginha, na zona sul.Para chegar ao terminal, os ônibus precisam fazer um retorno que, segundo o secretário, demora 25 minutos. Para economizar esse tempo, serão feitas alterações viárias na região. No período da manhã, o terminal é utilizado por 120 mil pessoas. O mesmo grupo de estudos finaliza um mapa com 140 rotas alternativas que devem ser divulgadas até o fim do mês, de acordo com o secretário. "Se pegarmos um helicóptero no horário do rush, vamos perceber que a 23 de Maio está parada, enquanto as ruas paralelas estão andando com um número mínimo de veículos. Há possibilidade de repartir esse fluxo." Moraes garantiu, porém, que as alternativas serão adotadas em vias onde já há movimentação de veículos e as áreas residenciais não serão invadidas.A circulação de caminhões também será afetada. O secretário declarou que vai impedir que cargas circulem em determinadas regiões, também não definidas até ontem. No ano passado, a Secretaria de Transportes ampliou a Zona de Máxima Restrição à Circulação (ZMRC) de 11,5 quilômetros para 24,5 quilômetros quadrados. No perímetro, os caminhões não podem circular de segunda a sexta-feira, das 10 às 20 horas, e no sábado, das 10 às 14 horas. Estão liberados apenas os chamados Veículos Urbanos de Carga (VUCs), que têm dimensões máximas de 6,3 metros de comprimento e 2,2 metros de largura. CORREDORESOutra medida será o ajuste dos tempos de semáforos em corredores de ônibus para diminuir o tempo no percurso. "A prioridade é para o transporte público. Vamos reduzir pela metade ou até em dois terços o tempo nos corredores", prometeu Moraes. Ele citou o corredor da Estrada do M?Boi Mirim como modelo do que deve ser seguido. "Na sexta-feira (7 de março), o trajeto era feito em 77 minutos. Segunda, foi feito em 62 minutos e ontem em 22 minutos." Na semana passada, nessa estrada houve uma manifestação de moradores para pedir mais rapidez dos ônibus. COLABOROU EDUARDO REINA

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