Governo anuncia medidas para combater violência no Rio

O ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, anunciou nesta quarta-feira em Corumbá a criação de uma força-tarefa com a participação da Receita Federal e do Ministério Público para combater o crime organizado no Rio. A declaração foi feita durante a solenidade de incineração de 82,1 toneladas de drogas apreendidas nos últimos 12 meses pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul.Segundo Reale Júnior, a força-tarefa será coordenada pelo próprio Ministério da Justiça. Ele afirmou, porém, que para o trabalho de combate ao crime apresentar resultados imediatos serão necessários investimentos maiores no setor de inteligência das Forças Armadas, como recursos financeiros e pessoal qualificado. Outra medida anunciada pelo ministro é o patrulhamento na região da Baía de Guanabara e nas estradas de acesso à cidade do Rio, que vai ser intensificado. A força-tarefa vai controlar ainda a entrada de contêineres nos portos e aeroportos do Estado do Rio. Ele lembrou ainda da criação de 6 mil cargos na PF para atuação em portos, aeroportos e regiões de fronteira.Fim de privilégiosDepois de confirmar que conversou ontem pela manhã, ao telefone, com a governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu, em Brasília, que a solução para os problemas do Estado não seja objeto de disputa política, porque o que está em jogo é a vida dos brasileiros. Ele condenou ainda o privilégio defendido por várias categorias, como a dos advogados, de entrar nos presídios sem passar por detectores de metais. "Os advogados têm de passar por revista sim", declarou o presidente, após a vitória da seleção brasileira. Ao seu lado estavam os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, e da Casa Civil, Pedro Parente, ajudaram a elaborar o pacote de combate ao crime."Não dá para transformar Bangu 1 em escritório do crime", disse ele, em referência à atuação de Fernandinho Beira Mar. No dia anterior, Fernando Henrique condenou a falta de comunicação do Judiciário na concessão de habeas-corpus. "Como no futebol, se não houver preparo, técnica, coesão e determinação, não se ganha a luta contra o crime", disse o presidente. "Não dá para saber se é esse ou aquele que tem responsabilidade sobre o assunto. Não dá para ter jogadinha política nesta questão." Fernando Henrique, indiretamente, criticou as primeiras reações de Benedita, que não aceitava, por exemplo a criação da força-tarefa.O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, insistiu ontem, ao sair da Câmara dos Deputados, que o apoio das Forças Armadas será apenas logístico e de inteligência. Após lembrar que o comandante da força-tarefa será designado pelo Ministério da Justiça, o ministro disse que a Constituição não permite que a atuação das Forças Armadas vá além disse. Para o ministro, as medidas foram uma grande colaboração do governo. "Mas o Estado tem de dar a sua parte." O general Alberto Cardoso, por sua vez, ressaltou que das dez medidas, nove vão reforçar a força-tarefa. "O principal é combater a lavagem de dinheiro, que é oxigênio do crime."

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