Governo anuncia nova ofensiva contra o crime em São Paulo

O governo federal avalia que, apesar dos avanços do governo de São Paulo no combate à onda de violência, a situação no Estado ainda é muito preocupante e, por isso, decidiu nesta quinta-feira, 20, manter em estado de alerta as Forças Armadas e todo o aparato de segurança da União. Também foi decidido ampliar a cooperação ao governo estadual e convocar a rede nacional de combate à lavagem de dinheiro para sufocar o suprimento de recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC).A facção, que comanda o tráfico de armas, seqüestros e outros crimes de dentro dos presídios, tem patrimônio expressivo aplicado em imóveis e empresas ou circulando com doleiros, advogados, bandidos, familiares ou mesmo empresários de fachada. Esses recursos, conforme apuraram os órgãos de inteligência do governo, permitem ao grupo contratar bons advogados, remunerar a sua ampla rede de operadores do crime, sustentar as famílias dos detentos e financiar operações ousadas de guerrilha urbana como as que são desencadeadas em São Paulo desde maio passado.OfensivaA nova ofensiva contra o crime em São Paulo foi anunciada nesta quinta-feira, 20, pelo governo, após reunião do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com a cúpula dos órgãos federais de segurança, a segunda desde que a onda de violência se alastrou no Estado de São Paulo. A União também decidiu enviar na sexta-feira, 21, uma missão a São Paulo, chefiada pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), a fim de acelerar com autoridades estaduais a transferência de líderes do PCC para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Está prevista a transferência de cerca de até 45 chefes de facções dos presídios paulistas para a unidade federal, inaugurada em 23 de junho.Após a reunião, que durou cerca de duas horas, decidiu-se que será mantida a mobilização de todo o aparato federal até que a normalidade seja restabelecida no Estado. Isso inclui o plano de contingência para o envio de tropas da Força Nacional de Segurança Pública e as Forças Armadas, apesar de a oferta ter sido reiteradamente recusada pelo governador Cláudio Lembo.Além dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, estiveram presentes na reunião os ministros da Defesa, Waldir Pires, e do Gabinete da Segurança Institucional, general Jorge Félix. Os dirigentes das Polícias Federal e Rodoviária, Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e Abin também participaram do encontro.MetasComo parte das metas anunciadas desde a reunião anterior, na semana passada, a Polícia Rodoviária Federal anunciou que começará imediatamente o seu plano de contingência, que consiste em bloquear as principais rodovias do País. A idéia é fazer um pente fino nos 65 mil quilômetros de rodovias federais em busca de armas e drogas.A devassa no poder econômico do PCC inclui o rastreamento de operações financeiras de pessoas, empresas e advogados ligados aos bandidos, monitoramento de doleiros e operações de remessa de dinheiro ao exterior, além da quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de suspeitos. Criada há três anos, a rede de combate à lavagem de dinheiro envolve 28 órgãos federais em ações articuladas, mediante o compartilhamento de informações. Entre esses órgãos estão Receita Federal, Banco Central, Ministério Público, Polícia Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

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