Governo articula renúncias na Anac

Idéia é buscar uma ?saída honrosa? para os cinco diretores, já garantindo um emprego público ou privado

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

Avançaram as negociações entre o governo e o comando da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para convencer seus cinco diretores a renunciarem aos cargos até terça-feira, como sugeriu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vários interlocutores. Para apressar o desfecho, o governo busca uma "saída honrosa", algo que possa recolocar todos no mercado de trabalho - público ou privado. O grupo de ministros que o presidente Lula escalou para dar uma solução à crise no setor aéreo, incluindo o novo comandante da Defesa, Nelson Jobim, avalia que a Anac está excessivamente comprometida com os interesses das companhias aéreas e não atua como órgão regulador. Mas, na impossibilidade de demiti-los, por conta da lei que confere um mandato a cada diretor, o governo trabalha por uma saída negociada. Embora haja resistências internas à troca - como a do ministro da Justiça, Tarso Genro, um colaborador presidencial afirma que não haverá maiores problemas para a renúncia coletiva. Prevalece no Planalto a convicção de que o presidente da agência, Milton Zuanazzi, por exemplo, entregará a carta de demissão no momento em que a madrinha política - a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef - solicitar. A idéia é acomodá-lo no Rio Grande do Sul, onde já foi secretário de Turismo. Um colaborador presidencial disse ao Estado que o nome mais cotado para substituir Zuanazzi é o do brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery. A resistência maior viria da diretora Denise Abreu, que teve a indicação para o cargo patrocinada pelo ex-ministro José Dirceu - e ainda não teria para onde ir. Também não está decidido o futuro de Josef Barat, que presidiu a empresa Metropolitana de Transportes de São Paulo (EMTU) e chegou à Anac com o aval do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP). Em se tratando de renúncia coletiva, nem o coronel aviador Jorge Velozo, único dos cinco diretores que tem o conhecimento técnico do setor, escapará da ofensiva do governo. Um colaborador palaciano diz que o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, já foi acionado para conversar com Velozo. Já o diretor Leur Lomanto, deputado federal por sete mandatos, tem pretensões políticas e não gostaria de ver seus planos arranhados por uma renúncia coletiva da Anac, mas o Planalto avalia que não terá maiores problemas para tirá-lo de lá. NEGATIVA Enquanto atua nos bastidores, o Planalto se esforça em demonstrar em público que não há nenhuma crise com a Anac. Em Teresina (PI), onde participou do anúncio de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento e urbanização de favelas no Piauí, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, negou que o presidente Lula tenha sugerido aos diretores da agência que pedissem demissão. "Isso não é verdade", afirmou, veementemente. Ela também disse desconhecer qualquer tipo de negociação para afastar diretores.

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