Governo aumenta gastos com vigias

Em 2008, a Prefeitura gastou R$ 120 milhões com segurança, praticamente mesmo valor investido na GCM

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

06 Julho 2009 | 00h00

A contratação de vigilantes para aumentar a sensação de segurança não virou exclusividade de condomínios de alto padrão de São Paulo. A Prefeitura também vem incrementando ano a ano o investimento em vigias desarmados, que operam em parques, escolas, unidades de saúde e prédios públicos. Só em 2008, o governo municipal gastou no mínimo R$ 120 milhões com empresas de segurança privada e patrimonial para ajudar em rondas e vigilância. É praticamente o mesmo valor destinado à Guarda Civil Metropolitana (GCM), que foi criada em 1986 pelo então prefeito Jânio Quadros para fazer justamente esse trabalho e cujo orçamento anual nos últimos anos não passou de R$ 170 milhões. Há dois anos, esse gasto da Prefeitura com segurança particular foi de R$ 6,5 milhões, o que significa um aumento de 19 vezes. A Secretaria de Educação foi a que mais gastou no ano passado, R$ 60 milhões, seguida pela São Paulo Transportes, com R$ 28,8 milhões, pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com R$ 21 milhões, pela Companhia de Engenharia de Tráfego, com R$ 13,2 milhões, pela Secretaria da Saúde, com R$ 2,3 milhões, pela São Paulo Turismo, com R$ 861 mil, e pela Secretaria de Cultura, com R$ 829 mil. Os dados estão no site De Olho nas Contas, da própria Prefeitura. Subprefeituras como a da Vila Guilherme, Cidade Ademar e Mooca também contrataram vigias desarmados para a segurança de prédios públicos. Segundo o Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas-SP), o procedimento supostamente onera a municipalidade duas vezes, já que os vigias contratados pela Prefeitura acabariam, no fim das contas, ligando para a GCM quando alguma ocorrência acontece na cidade. "O mais correto seria usar essa verba para investir na própria GCM e aumentar o efetivo de guardas", diz o presidente da entidade, Carlos Augusto Sousa Silva. NOVO FOCO O secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, afirma que a contratação de segurança privada faz parte da estratégia da Prefeitura de diminuir a sensação de insegurança. Segundo ele, a prática é financeiramente proveitosa para a municipalidade, uma vez que o salário mensal do guarda civil custa R$ 2,5 mil por mês, e o vigia é supostamente contratado por cerca de R$ 800 mensais. "Temos 6,7 mil guardas civis, e outros 2 mil serão contratados até 2012", diz. "Com isso, estamos fazendo uma revisão do foco da GCM, para saber onde a guarda vai poder contribuir no combate à criminalidade e vulnerabilidade. Tem lugar que é melhor colocar vigia e tem lugar que é melhor realmente ter um guarda civil." Para justificar a contratação de vigilantes terceirizados, o secretário Ortega cita ainda como exemplo os parques municipais. "Tem parque na periferia que quase não vai ninguém nos dias de semana, então não preciso ter guardas lá, com viatura e tudo mais", diz. "Já no Ibirapuera, temos vigias e guardas. Com isso, podemos colocar mais guardas em escolas públicas, nas mais vulneráveis, ou para retirar ambulantes. Tudo depende do contexto e da situação."

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