Fabio Motta
Fabio Motta

Governo avalia medida provisória para desvincular Museu Nacional da UFRJ

Presidente Temer passou a considerar MP após empresários e banqueiros demonstrarem preocupação com gestão da entidade

Mariana Haubert e Camila Turtelli, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2018 | 17h05

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer passou a considerar a possibilidade de editar uma medida provisória para retirar o Museu Nacional da alçada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) depois que empresários e banqueiros demonstraram preocupação com a gestão da entidade. 

Nesta quarta, 5, Temer reuniu presidentes de empresas e bancos públicos e privados e fez um apelo para que eles participem da composição de fundos que serão criados para a reconstrução do museu e para a manutenção do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

A ideia da MP foi discutida na reunião e os patrocinadores dos futuros fundos afirmaram considerar a proposta importante, de acordo com fontes que estiveram no encontro. Os empresários reclamaram da governança e da gestão dos museus e das instituições culturais do País e a ideia de retirar o Museu Nacional da UFRJ foi apresentada como uma contrapartida. 

O governo, no entanto, ainda não definiu os termos da medida. A ideia é passar a gestão do museu para o governo federal, provavelmente sob os cuidados do Ministério da Educação. 

Na terça-feira, 4, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Educação, Rossielli Soares, e da Cultura, Sérgio Sá Leitão, criticaram a gestão da UFRJ. Em entrevista coletiva após a primeira reunião realizada pela cúpula do governo após a tragédia, os ministros afirmaram que não faltaram recursos para a instituição e que, por decisão da universidade, os repasses para o museu diminuíram ao longo dos anos. 

A reitoria da universidade rebateu o governo e disse que houve falta de verbas para a manutenção adequada do prédio histórico, do século 19. 

Nos bastidores, a gestão do reitor da UFRJ, Roberto Leher, é bastante criticada, de acordo com pessoas ligadas ao setor educacional. Uma das críticas ao seu trabalho foi o empenho do reitor em captar recursos de R$ 2,24 milhões para a criação da “Rádio UFRJ FM”, o que seria o suficiente para custear a manutenção do Museu Nacional. A reportagem procurou a reitoria da universidade mas ainda não obteve resposta. 

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