Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bahia confirma bloqueio preventivo em região contaminada

Segundo o secretário de meio ambiente, o bloqueio será realizado em parceria com o governo federal, com apoio do Ibama

André Borges, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2015 | 14h58

Atualizada às 21h22

BRASÍLIA - O governo da Bahia informou nesta segunda-feira, 24, que deu início ao bloqueio preventivo de poços usados pela população da zona rural de Lagoa Real, município baiano onde foi comprovada a contaminação de água por urânio, em índice até quatro vezes superior ao limite permitido para o consumo humano.

Ao Estado, o secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, Eugenio Spengler, disse que o bloqueio será realizado em parceria com o governo federal, com apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Ficamos sabendo da situação agora, pela reportagem. Não fomos comunicados oficialmente pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil). Estamos organizando uma equipe de fiscalização e laboratório para captar amostras de água, para ter os próprios dados.”

“Faremos esse trabalho com o Ibama. Vamos mandar uma equipe nesta semana, ao lado do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos). A Secretaria da Saúde também será mobilizada, por causa do risco à saúde pública”, declarou Spengler. Para garantir que não falte água à população, deverá ser reforçado o envio de caminhão-pipa à região. 

Perplexidade. Segundo o secretário, a denúncia de contaminação publicada no sábado pelo Estado surpreendeu o governo. “É uma situação de perplexidade. Como é que isso não foi percebido antes? Os dados nos surpreenderam, por causa dos índices elevados de contaminação apresentados, que estão muito acima do limite tolerável. Faremos esse bloqueio preventivo, até ter certeza da qualidade da água”, comentou.

Eugenio Spengler criticou a postura da INB em relação ao acesso a informações. “Infelizmente, essa é a política adotada pela estatal. Quando se fala no assunto urânio, há um sigilo quase absoluto.” Em 2009, após denúncias feitas pela organização ambiental Greenpeace, o governo da Bahia chegou a analisar uma série de poços na região e até suspendeu preventivamente o consumo em alguns poços. “Depois se confirmou, por análises, que não havia problemas na região, então liberamos os poços.”

Congresso. A denúncia causou reações no Congresso. No Senado, o vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), Ataídes Oliveira (PSDB- TO), apresentou requerimento para ouvir o presidente da INB, Aquilino Senra. Na Câmara, o deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, vai apresentar hoje requerimento em caráter de urgência para ouvir representantes de INB, Ibama, governo da Bahia e Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). 

Paralelamente, o deputado encaminhou ofício ao governo da Bahia sobre providências para garantir que não falte água à população, por causa do bloqueio preventivo. Nesta segunda, a INB divulgou nota, afirmando que a inspeção no poço contaminado foi feita a pedido do secretário de Infraestrutura de Lagoa Real, Rosalvo Alves de Oliveira. A Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura, no entanto, afirmou ao Estado que nem sequer tinha conhecimento da existência do poço, até receber oficialmente os laudos da INB.

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