Governo brasileiro diz que dados do IDH não estão atualizados

Em entrevista conjunta nesta quinta, ministros apresentaram relatório alternativo em que Brasil aparece com índice de 0,764

Lígia Formenti e Leonencio Nossa, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 20h34

BRASÍLIA - O governo brasileiro disse nesta quinta-feira, 24, após a divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que os dados estão desatualizados e não refletem as mudanças do País. O relatório mostra que o Brasil subiu uma posição no ranking do IDH 2013

Em entrevista conjunta nesta quinta-feira, os ministros Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Arthur Chioro (Saúde) e Henrique Paim (Educação) apresentaram um relatório alternativo em que o Brasil passaria a figurar como país de desenvolvimento humano muito alto. 

O governo afirma que o IDH brasileiro é 0,764, superior aos 0,744 calculados pelo PNUD. De acordo com os ministros, a esperança de vida ao nascer do brasileiro é 74,8 anos, ao contrário dos 73,9 apontados pelo PNUD. Os anos esperados de escolaridade são 16,3, em vez dos 15,2 do ranking oficial. Usando números dos ministérios, a média de anos de estudo da população é 7,6. No relatório, foi usado para o cálculo o valor de 7,2.

No caso da esperança de vida ao nascer, o governo afirma que o PNUD adotou dados de 2010. O Ministério da Saúde, no entanto, garantiu que já estavam disponíveis dados de 2013. Para o cálculo dos anos esperados de escolaridade, o PNUD teria desconsiderado as matrículas das crianças a partir de cinco anos, deixando de incluir, portanto, as que estão nas creches. O governo alega ainda que, no caso de média de anos de estudo da população adulta, a ONU usou dados brasileiros de 2009 quando o governo já teria os de 2012.

"O IDH brasileiro não reflete o que ocorreu nos últimos quatro anos, pois os dados estão desatualizados", afirmou a ministra Tereza Campello. Ela afirmou que "dezenas" de países apareceram no ranking com dados atualizados, o que deixaria o Brasil numa situação desfavorável no momento do cálculo do ranking.

Para ela, o mais importante é a média geral que teria sido alcançada pelo País, de 0,764. O cálculo com a nova posição brasileira feita pela equipe do governo está sujeito a incorreções, ponderou, porque outros países podem ter sido vítimas do mesmo problema de desatualização de dados, como ocorreu com o Brasil. "A discussão não é de ranking, mas é de quanto avançamos no IDH", completou.

O ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou que o Brasil já atingiu um índice de expectativa de anos de estudos elevado, de 16,3, próximo ao dos Estados Unidos, que é de 16,5. Ele destacou o aumento no processo de inclusão de pessoas que estudam no Brasil. "O que ocorreu foi uma grande evolução. Há um esforço no sentido de inclusão e frequência escolar. O Brasil avançou bastante considerando essas informações. Estamos à frente em expectativa de estudo de países como o Chile, que é usado como exemplo por várias pessoas", afirmou. 

Paim apresentou indicadores que justificam o aumento na inclusão e mostram o desenvolvimento do País na redução do analfabetismo. "Temos dados mostrando que o Brasil saiu de um patamar baixo em 1980 com 2,6 anos de estudo (por pessoa), com grande parte da população de analfabetos, e hoje estamos com 7,2 anos de estudo, segundo o PNUD. Usando dados atualizados já temos 7,6 anos", avaliou, deixando claro que o Brasil precisa melhorar nos números, mas ressaltando a evolução ao longo do tempo.

Expectativa de vida. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, por sua vez, citou a redução dos índices de mortalidade infantil. Ele também comentou sobre o indicador de expectativa de vida. "Diminuímos consideravelmente a mortalidade infantil. Temos reduções importante em doenças crônicas não transmissíveis como na de aparelhos cardiovasculares, em cânceres e doenças respiratórias. Também notamos um declínio nos homicídios e acidentes de trânsito", ressaltou.

Para o ministro, outros índices colaboram para o aumento na expectativa de vida. "Tivemos uma importante diminuição da nutrição aguda e a desnutrição crônica. São elementos importantes que compõem esse resultado na expectativa de vida", disse.

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