Governo chileno estuda pedir extradição de líder do seqüestro

O governo chileno estuda pedir a extradição do seqüestrador Maurício Hernández Norambuena, de 43 anos, o comandante Ramiro, autor do seqüestro do publicitário Washington Olivetto, que passou 53 dias em um cativeiro no Broklin, em São Paulo.De acordo com o ministro suplente do interior, Francisco Vidal, que repassou nesta segunda-feira ao governo brasileiro a ficha de antecedentes criminais de Norambuena e suas impressões digitais, eles estão esperando a confirmação oficial do nome do seqüestrador para, posteriormente, fazer o pedido. "Estamos esperando a confirmação do nome (de Norambuena) pelo governo (brasileiro) e, depois, vamos estar anunciando a extradição", disse Vidal em entrevista coletiva nesta segunda-feira.Até o fim da tarde, Vidal e o ministro titular da pasta, José Miguel Insulza, não tinham feito o anúncio na rede de TV chilena, como estava programado. Os dois estavam em uma reunião a portas fechadas discutindo o assunto.Desgaste políticoA reportagem apurou que o presidente chileno, Ricardo Lagos Escobar, estaria preocupado com o possível desgaste político que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderia sofrer com a medida em um ano eleitoral.A grande preocupação do governo chileno é de que o caso seja comparado com o dos seqüestradores do empresário Abìlio Diniz, seqüestrado em 1989 por militantes do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), que foram extraditados e, hoje, estão livres.Braço armadoNorambuena é um dos quatro líderes da Frente Patriótica Manoel Rodrigues (FPMR), o braço armado do Partido Comunista durante a ditadura de Augusto Pinochet. Ele é condenado duas vezes à prisão perpétua no Chile e o governo é o maior interessado que ele cumpra suas penas em país de origem, ao invés do Brasil, onde, de acordo coma Constituição, ninguém pode ficar preso mais de 30 anos.Entretanto, para conseguir a medida, que envolve negociações diplomáticas entre os dois países, o governo chileno deverá oficializar o anúncio e um juiz especial requisitará o pedido de extradição do seqüestrador ao presidente da Corte Suprema do Chile, que decidirá se o pedido è viável e legal. Apenas após esse processo, è que o pedido è feito formalmente ao Brasil.Dinheiro para armasSegundo investigações preliminares da inteligência da polícia chilena, se conseguisse os US$ 10 milhões com o seqüestro de Olivetto, Norambuena não iria usar o dinheiro para tentar reerguer o movimento revolucionário no Chile.Em vez disso, o montante seria utilizado apenas para a criação de um "movimento subversivo" que, teoricamente, não seria ligado à Frente Patriótica, ou seja, seria para a compra de armas, para assaltos a bancos e novos seqüestros. A polícia ainda estuda o envio de policiais chilenos para acompanharem o caso de perto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.