Governo coloca órgãos de segurança à disposição no Rio

O Ministério da Justiça colocou os órgãos de segurança do governo federal, inclusive a Polícia Federal, à disposição do governo do Estado do Rio de Janeiro para enfrentar a onda de ataques desencadeada por facções criminosas. Contudo, a governadora do Estado, Rosinha Matheus, já descartou a ajuda federal.O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que está em São Paulo, cancelou o seu recesso de feriado de final de ano para coordenar as ações desses órgãos. Bastos já apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por telefone, um primeiro informe sobre os ataques com base em relatos de autoridades de segurança do Rio e do secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa.Para acompanhar todas as etapas da investigação, está de plantão na sede do Ministério da Justiça, em Brasília, uma equipe montada pelo ministro. As primeiras informações dão conta de que as autoridades de segurança do Estado do Rio vinham sendo alertadas desde o dia 26 deste mês sobre os preparativos que estavam sendo feitos pelos criminosos para desencadear a onda de violência contra ônibus e alvos policiais que deixou ao menos 18 mortos no Rio nesta quinta-feira. De acordo com o que apurou a área de inteligência do governo federal, a onda de violência no Rio era para ser muito pior: um grande "banho de sangue" às vésperas do Ano Novo, no momento em que a cidade recebe cerca de 500 mil turistas do mundo inteiro.De acordo com o secretário estadual de Segurança, Roberto Precioso, os atentados foram uma reação dos bandidos a possíveis mudanças no sistema penitenciário, por causa da troca de governo. No entanto, para o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, os criminosos teriam agido em represália às ações das milícias policiais em alguns morros da cidade.Crime organizadoDe acordo com as primeiras informações, a onda de ataques no Rio teria sido deflagrada por traficantes, que agiram em represália às ações de policiais militares em alguns morros da cidade. Antes dos atentados, os criminosos teriam distribuído panfletos, nos quais estava escrito: "Rosinha e Garotinho apóiam a milícia contra o pobre e favelado".Há suspeitas de que os atentados tenham sido coordenados pela facção criminosa Comando Vermelho. Segundo uma fonte da área de segurança, a ordem para os ataques teria partido do presídio de Bangu."A gente ainda não sabe de onde partiu a ordem, estamos levantando os fatos para divulgar a realidade em uma nota com responsabilidade", disse o sargento Adolfo, do Departamento de Relações Públicas da PM. "Tem um monte de boatos por aí".

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