Governo comemora tranqüilidade nos aeroportos no carnaval

O governo respirou com alívio depois de passar pelos primeiros testes da volta do carnaval, apesar dos problemas enfrentados na saída para o feriado, na sexta-feira passada, quando os atrasos dos vôos chegaram a 37,7%. Nesta quarta-feira, no início da noite, os atrasos em mais de 45 minutos chegavam a 177, cerca de 12,7%. "Todos os planos da Anac, da Aeronáutica, da Infraero e das próprias empresas aéreas acabaram colaborando para que nenhum problema efetivamente ocorresse", comemorou a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu. "Felizmente deu tudo certo e não foi preciso acionar os recursos extraordinários para garantir a normalidade", disse ela, ao comentar que "é preciso esperar o fim do feriado". Segundo Denise, "o teste maior, que seria a ida, no fim de semana, e a volta, hoje". E salientou: "e, até agora, está tudo regular". A Anac promoveu uma intensa fiscalização nos 15 principais aeroportos do País e chegou a autuar a Gol, no sábado, por atraso em um de seus vôos, sem o devido aviso aos passageiros. "Houve uma mobilização forte de todos os setores e era ponto de honra para todos que tudo desse certo", emendou o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. "Estávamos muito preocupados de a população achar que estes atrasos eram normais, se acomodando. Estes atrasos não são normais e têm de ser corrigidos", declarou Pereira, ao comentar que, graças ao esforço de todos não houve maiores problemas. Atrasos não "normais" O brigadeiro não considera "normal", no entanto, os atrasados da sexta-feira, de mais de 37%. "Não é o normal", observou ele, ao informar que os órgãos envolvidos na crise vão criar uma espécie de manual para registrar todos os problemas ocorridos nestes momentos, com as devidas soluções adotadas, para evitar que os mesmos problemas se repitam no futuro. "Precisamos tirar lições das crises e esta trouxe um aprendizado muito grande. Por isso, todas as medidas tomadas devem ser registradas para que possam ser consultadas em caso de necessidade", recomendou. As medidas preventivas adotadas no Carnaval seguiram o planejamento já feito para o Réveillon, que havia dado certo. A medida mais efetiva foi a intensa fiscalização das companhias aéreas feita pela Anac nos 15 principais aeroportos do País, a partir do dia 16 de fevereiro. Antes, a Anac já havia conversado com as empresas aéreas para que eles checassem seus sistemas de reserva para evitar "over sale", vendas de passagem a mais do que lugares disponíveis. As companhias também deixaram aviões de reserva com tripulação e aumentaram o número de pessoas para atendimento e repasse de informações aos passageiros. A Infraero, por sua vez, disponibilizou mais funcionários nos aeroportos, para auxiliar no atendimento ao viajante. Escala especial A Aeronáutica, por sua vez, fez uma escala especial de trabalho para os controladores de vôo durante o Carnaval, aumentando o número de militares de plantão na sexta-feira à noite e sábado durante o dia, repetindo a operação na terça à noite e todo o dia de quarta-feira. Segundo a FAB, as escalas são sempre feitas proporcionalmente ao movimento aéreo. A ampliação do número de controladores será feita novamente no final de semana para atendimento aos setores que controlam principalmente os vôos originários no Nordeste. A FAB também deixou controladores de sobreaviso, em casa, para serem acionados, caso fosse necessário. Mas, apesar das medidas preventivas, na sexta-feira houve controle de fluxo, que chegou a espaçamento de 20 minutos entre decolagens, exatamente por falta de capacidade do sistema em atender grandes demandas de vôos. Os controladores, por sua vez, reiteraram que, apesar da insatisfação com a falta de solução para os seus problemas, não iriam promover nenhum tipo de atitude que pudesse prejudicar os passageiros. "E a prova estava aí, tudo correu bem", comentou um dos dirigentes deles. Os problemas da sexta-feira, que os obrigou a fazer retenção de fluxos, conforme esclareceram, é o natural, já que o sistema não tem capacidade para operar com qualquer movimento extra de aeronaves, como ocorre nos feriados. Apagões O primeiro e maior apagão aéreo foi no feriado de dois de novembro, provocado pela operação padrão dos controladores, depois do afastamento de 12 deles, e pedido de licença por estresse de outros, em decorrência do acidente com o Boeing da Gol. Os problemas se repetiram no feriado de 15 de novembro. No dia cinco de dezembro, uma pane nos equipamentos do Cindacta 1, suspendeu todos os vôos no País por causa de falha nos rádios de comunicações, provocando o segundo apagão aéreo do País. No Natal, o caos voltou aos aeroportos. Mas, desta vez, não por um problema provocado pelas companhias aéreas, particularmente a TAM, que vendeu mais passagens do que lugares disponíveis, assim como alugou maior aviões do que tinha disponíveis para vôos charters, deixando os passageiros de vôos comerciais sem terem como ser transportados. No Ano Novo, os atrasos foram considerados normais. Mas novos problemas de atraso surgiram em 14 de janeiro, quando houve novas panes técnicas no Cindacta 2, em Curitiba. Na volta das férias, no final de janeiro, mais atrasos. Mas o Carnaval foi considerado tranqüilo, apesar dos atrasos de 37,7% na sexta-feira.

Agencia Estado,

21 Fevereiro 2007 | 20h34

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