Governo de MG vai indenizar as famílias dos presos mortos

Secretário admite que presos estão sob custódia do Estado, que tem que "mantê-los bem e saudáveis"

Milton F.da Rocha Filho, da Agência Estado,

24 Agosto 2007 | 11h57

O secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, Maurício Campos, admitiu que é possível as famílias dos presos mortos em Ponte Nova, "pleitearem indenização considerando que são presos sob custódia do estado." Questionado sobre como as famílias poderiam solicitar as indenizações, ele afirmou: "eu quero crer é que aqueles presos que estão sob a custódia do Estado impõe ao Estado o dever de mantê-los bem e saudáveis".  CPI vai acompanhar investigação sobre morte de presos em MGPresos põem fogo em cadeia e 25 morrem em MinasFamílias ficam sem notíciasAécio abre processo para apurar mortes em prisão de MG  Campos afirmou, que "o Estado tem o dever e busca preservar, no limite das suas forças, todo aquele que tem sob sua custódia. Todo o esforço da Defesa Social tem sido inclusive no sentido de dar um tratamento de dignidade ao preso sob sua custódia". Salientou que hoje, o número de presos trabalhando e estudando no Sistema da Defesa Social é um número representativo, de cerca de 3.500 presos trabalhando e outros 5 mil estudando, ou seja, é um trabalho que busca dar dignidade ao preso provisório e ao preso definitivo. Disse ainda que "naturalmente, estejam o preso sob responsabilidade do Estado, o Estado tem sempre até uma responsabilidade objetiva em face desse preso, mas, naturalmente, e até por isso, o estado vai assistir as famílias desde já por sua própria iniciativa como forma de conforto e, naturalmente, reparação a uma perda que não se justifica".  Motim acaba em mortes Por volta de 1 hora de quinta-feira, as vítimas foram encurraladas na cela 8 da cadeia por detentos de uma cela vizinha, que atearam fogo em um colchão encharcado com líquido inflamável, provocando um grande incêndio, que só foi controlado cerca de uma hora depois. Como a cidade não possui Corpo de Bombeiros, um caminhão-pipa foi utilizado para controlar o fogo, que já havia tomado conta de boa parte do segundo andar do prédio.Superlotada, a cadeia, com capacidade para 87 presos, abrigava 173 no momento da confusão. Segundo a Secretaria de Defesa Social (Seds) de Minas, pela manhã foi lavrado auto de flagrante indicando 20 detentos que seriam os líderes do motim. O alvo principal do grupo seria Cleverson Alexandre da Cruz, o Clesinho, preso da cela 8 e rival do traficante Wanderson Luiz Januário, o Biju.Nesta sexta, deputados da CPI do Sistema Carcerário vão a Ponte Nova para acompanhar de perto as investigações sobre a morte de 25 presos na madrugada de quinta-feira, 23, na cadeia pública local.   

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