Sobe para 28 número de desaparecidos em Minas; Estado confirma 2ª morte

Corpo foi encontrado no leito do Rio Doce, a cerca de 100 quilômetros de Mariana, por onde a enxurrada passou depois do rompimento da barreira

Bruno Ribeiro, O ESTADO DE S. PAULO

07 Novembro 2015 | 19h45

Atualizado às 23h52

MARIANA - A Secretaria de Governo do Estado de Minas e o Corpo de Bombeiros afirmaram, no início da noite deste sábado, 7, que um corpo foi localizado no leito do Rio Doce, a cerca de 100 quilômetros de Mariana, que teria sido levado pela enxurrada de lama após o rompimento da barragem da mineradora Samarco na tarde da última quinta. É a segunda morte relacionada ao acidente, apesar de ainda não haver confirmação da Prefeitura de Mariana - que atesta apenas um morto, o funcionário da mineradora Claudio Fiuza, de 40 anos. Os bombeiros checam se a vítima era da cidade ou de algum outro município por onde a enxurrada passou.

Na sexta-feira, um outro corpo também tinha sido achado nessa região, mas não foi possível relacioná-lo ao desmoronamento. Bombeiros tentam identificar o corpo para descobrir se a pessoa poderia estar no caminho do mar de lama.

Ao final da tarde, a Prefeitura de Mariana colocou em seu site uma lista com os nomes de 28 desaparecidos: 13 funcionários da empresa Samarco e 15 moradores de distritos atingidos pelo rompimento de duas barragens. A maioria é de Bento Rodrigues, local mais afetado. Entre os moradores, há três pessoas com o mesmo sobrenome: uma mulher, um menino de 5 anos e um bebê de 3 meses. Há mais outras três crianças na lista.

Segundo o prefeito da cidade, Duarte Júnior (PPS), os novos desaparecidos (à tarde ele tinha dito que eram 25) estão sendo identificados à medida que as equipes de resgate chegam a povoados que estavam isolados desde quinta-feira, a partir dos relatos de sobreviventes.

Na segunda coletiva à imprensa sobre a tragédia, feita neste sábado à tarde, no centro da cidade, o prefeito disse que contava com ajuda dos governos estadual e federal para atender os 545 desabrigados que estão instalados em hotéis da região, "mesmo sabendo que a Samarco está preparada" para o que a cidade necessita, na visão do prefeito.

O chefe do executivo municipal vem propondo uma anistia fiscal para a empresa. A mineradora tem uma dívida com a cidade e com o governo do Estado – fruto de um acordo judicial anterior à tragédia –, de R$ 34 milhões, dois quais R$ 10 milhões terão de ser pagos ao governo do Estado. Duarte Júnior quer que o governo estadual abra mão desse valor para que a empresa possa investi-lo na cidade. Ele também está divulgando uma conta bancária para receber ajuda financeira da população.

Aumento de rejeitos. A empresa admitiu ontem, ao responder perguntas de jornalistas, que as barragens desmoronadas passaram a receber uma quantidade maior de rejeitos de mineração. O crescimento foi da ordem de 32% em relação ao que recebia, por ano, nos anos anteriores. "O aumento foi resultado de um processo de investimentos que começou cinco anos atrás", disse o diretor de operações e infraestrutura da empresa, Kleber Terra. A Samarco disse que ainda sabe por que ocorreu o rompimento das barragens e voltou a dizer que desconhecia parecer de 2013 que alertava sobre o risco.

Terra afirmou ainda que não tem prazo determinado para transferir todas as famílias dos hotéis para casas alugadas pela empresa, dizendo que está sendo feito um levantamento de imóveis que podem ser locados.

Banho. O tenente-coronel Ronilson Caldeira, da Defesa Civil, afirmou que há um protocolo da Secretaria de Saúde que determina que todas as pessoas que tiveram contado com a lama da barragem tomem banho imediatamente, jogando as roupas expostas ao material fora.

Entretanto, o coordenador da Samarco Germano Lopes afirmou que o material derramado sobre a cidade é inerte, portanto, não tóxico. O Estado ouviu, na sexta-feira, profissionais de saúde dizendo que muitos dos desabrigados chegaram a Mariana sentindo náuseas.

O promotor de Justiça de Direitos Humanos Guilherme Meneghin afirmou que o Ministério Público vai solicitar testes sobre a composição química da lama e que vem colhendo depoimentos dos atingidos.

Sirene. Após a constatação de que não havia sirenes para alerta de desmoronamento das barragens Fundão e Santarém, a Samarco instalou ontem dispositivos sonoros para alarme em caso de rompimento na barragem de Germano, única que se mantém de pé no distrito de Bento Rodrigues.

A instalação atendeu a pedido da Defesa Civil. Os dispositivos estão em veículos dos técnicos que monitoram o local. Segundo o gerente de projetos da Samarco, Germano Lopes, a barragem não apresenta sinal de alteração na estrutura.

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