Governo de SP substitui comandante-geral da PM

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, descontente com o trabalho do coronel Rui César Melo à frente da Polícia Militar, decidiu substituí-lo pelo coronel Alberto Silveira Rodrigues, de 50 anos, chefe do policiamento no litoral.O novo comandante-geral da corporação toma posse na próxima semana. Rodrigues foi responsável pelas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) até o fim de 1999, quando foi promovido a coronel e destacado para chefiar a PM no litoral."É um oficial de rua, nunca trabalhou na parte administrativa e tem o carisma da liderança", disse um tenente-coronel que trabalha numa das chefias do Estado-Maior e esteve com o futuro comandante em diversos batalhões.O objetivo do governo é investir cada vez mais no policiamento ostensivo e repreensivo para diminuir os casos de seqüestro e assalto. Saulo acredita que, com a filosofia de trabalho de Rodrigues, poderá virar o jogo e ver os PMs todos os dias nas ruas, fiscalizando, prendendo e evitando crimes.Desde a posse de Melo, em 11 de fevereiro de 1999, circulava o comentário de possível sabotagem ao seu trabalho, por ter passado "por cima" de oficiais mais antigos e experientes. Melo negou, afirmando que sempre recebeu o apoio de toda a tropa.O comandante foi apanhado de surpresa ao ser comunicado de sua substituição. No ano passado, desmentiu várias vezes a notícia de que deixaria o posto para se candidatar a deputado estadual numa chapa com o ex-secretário Marco Vinicio Petrelluzzi, candidato a federal.Repetiu que seu objetivo era ficar na PM até o último dia do governo de Geraldo Alckmin, quando completaria seu tempo de comando como coronel. No fim da semana passada, Melo foi chamado ao gabinete do secretário-adjunto, o advogado Marcelo Martins de Oliveira.O comandante pensou que a conversa seria sobre os planos de combate à criminalidade e as megaoperações que estão sendo executadas pela Polícia Militar.Estranhou quando Oliveira perguntou qual era o seu projeto de vida ao deixar a PM. Surpreso, Melo disse que não entendera a pergunta, porque faltavam vários meses para o fim do governo Alckmin, e pediu ao secretário-adjunto que fosse direto ao assunto.Foi avisado, então, de que Saulo tinha novos planos para a corporação e para seu lugar. Disse ainda que pretendia acertar tudo até o dia 21, quando se comemora o Dia da Polícia. No fim da conversa, o comandante foi avisado de que seria substituído e que o novo chefe da Polícia Militar já fora escolhido.Para permitir uma saída honrosa e evitar a notícia da demissão, o secretário da Segurança Pública determinou que sua assessoria divulgasse a informação de que Melo decidira pedir férias e licença-prêmio, a que tem direito, e antecipar a sua aposentadoria. A informação foi passada nesta segunda-feira à tarde.Pela lei, o comandante deveria deixar o cargo somente no fim de 2002, ao completar cinco anos em posto de comando como coronel. Ele concordou em ficar no comando até a posse de Rodrigues. Melo não foi encontrado para comentar sua saída. Nesta terça-feira, ele estará no Rio para uma palestra sobre as PMs e a integração com a Polícia Civil.Seus assessores na Polícia Militar informaram que a Secretaria da Segurança proibiu qualquer comentário e somente o secretário falaria sobre o caso. Disseram ainda que Melo não contestou a demissão, porque o cargo é de confiança e o secretário poderia "dispor dele" quando bem entendesse.Saulo de Castro Abreu Filho evitou os jornalistas, alegando "rouquidão" e dizendo que não havia horário em sua agenda, porque teria de se submeter a diversos exames médicos.Melo assumiu o comando da PM em substituição a Carlos Alberto Camargo. Enfrentar os traficantes, reprimir o porte de drogas, impedir a ação de ladrões e recuperar as áreas de maior incidência de criminalidade em conjunto com a Polícia Civil eram suas metas.Foi indicado para o cargo por Petrelluzzi e sempre se mostrou contrário à unificação das polícias, o que teria irritado Alckmin. Foi presidente do Conselho dos Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros do Brasil, posto que deixou na sexta-feira.Em suas palestras, sempre disse ser favorável à integração e jamais à unificação. Melo mudou seu gabinete para o mesmo prédio onde estão instalados o secretário da Segurança Pública e o delegado-geral Marco Antonio Desgualdo. Deixou intacto o andar onde, por muitos anos, funcionou o comando da corporação, no bairro da Luz.Com a saída de Melo, alguns comandantes poderão ser remanejados. A Polícia Civil fica na expectativa de prováveis mudanças.

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