Governo Dilma prevê crescimento de 5,9% em média até final de mandato

A equipe econômica traçou um cenário bastante otimista para os quatro anos do governo Dilma Rousseff. Pelas estimativas do Ministério da Fazenda, o País deve crescer, em média, 5,9% entre 2011 e 2014, superando o desempenho obtido nos últimos 16 anos. As projeções foram apresentadas ontem pelo ministro Guido Mantega, na primeira reunião ministerial do ano.

Renato Andrade / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

"Durante os oito anos do governo Lula, colocamos o País na rota do desenvolvimento e com isso o Brasil cresceu mais. No governo Dilma, vamos consolidar esse desenvolvimento e colocá-lo em patamares mais elevados", disse Mantega, após o encontro.

O compromisso com o ajuste das contas públicas foi reforçado pelo ministro e cobrado por Dilma. "Temos que fazer um esforço de reduzir os gastos, uma racionalização das despesas", relatou Mantega. "Será um esforço duro dos ministérios que terá que ser levado a sério."

A recomendação da presidente Dilma, segundo palavras da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, é "fazer mais com menos". Os ministros se comprometeram a avaliar cuidadosamente onde poderão cortar despesas e aderiram ao pedido com "entusiasmo", segundo Miriam.

O ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, foi rápido e ainda na reunião disse que já tinha o valor de quanto poderia cortar em sua pasta: dez centavos.

"Lição de casa". Os ministros terão até 4 de fevereiro para fazer a "lição de casa" e definir quais são os programas e projetos prioritários de suas pastas. A partir dessa data, serão realizadas reuniões do Planejamento e da Fazenda com cada um dos ministérios para definir o tamanho exato do corte, disse Belchior.

Nas 29 páginas de sua apresentação, Mantega não indicou nenhuma projeção sobre o tamanho do corte que será feito no Orçamento Federal de 2011. Segundo a ministra do Planejamento, esse valor só será definido no início de fevereiro e, até lá, qualquer número divulgado deve ser tratado como "especulação".

Na apresentação feita aos colegas, Mantega trocou a expressão "ajuste fiscal" por um eufemismo: "consolidação fiscal". No entender do ministro, o ajuste "clássico" das contas públicas gera desemprego, recessão e redução dos investimentos. O que o governo Dilma fará é um "esforço de racionalização das despesas com aumento da eficiência do gasto público".

Pelos cálculos da Fazenda, a pior taxa de crescimento da economia no mandato de Dilma Rousseff será neste ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 5%. Já em 2012, a estimativa é de uma expansão de 5,5%, indo para 6,5% em 2013 e em 2014. Se as projeções se confirmarem, a expansão média da economia com Dilma será superior ao obtido por Luiz Inácio Lula da Silva (4%) e Fernando Henrique Cardoso (2,6%).

O crescimento será seguido de uma inflação sob controle. Pelas estimativas, o IPCA, índice que baliza o sistema de metas de inflação do Banco Central, vai desacelerar para 5% este ano, depois de ter fechado 2010 em 5,9%. Em 2012, o índice estará em 4,5%, no centro da meta que deve ser perseguida pelo BC.

Grupos. Dilma também decidiu dividir o ministério em quatro grupos temáticos. A ideia é juntar os ministérios com maior afinidade sobre um tema para definir metas e buscar, com isso, resultados mais práticos.

Segundo a ministra Miriam Belchior, os grupos vão coordenar ações e projetos nas áreas de desenvolvimento econômico, infraestrutura, erradicação da miséria e direitos da cidadania. Planejamento, Casa Civil e Fazenda terão assentos em todos. Guido Mantega será o coordenador da área de desenvolvimento econômico, enquanto Miriam Belchior chefiará a infraestrutura. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo, responderá pelo grupo de erradicação da miséria e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, cuidará do quarto tema.

Segundo relato de um participante da reunião ministerial, a presidente reconheceu que é difícil aprofundar temas com 37 ministros presentes, cada um querendo falar sobre sua pasta. Apesar da criação dos grupos, o que permite reuniões menores e com foco mais definido, os encontros periódicos de toda a equipe não foram descartados. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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