Governo discute nova empresa de logística

A chegada do coronel Eduardo Artur Rodrigues aos Correios coincidiu com a troca de comando do primeiro escalão da estatal feita pelo presidente Lula para conter o fisiologismo e a falta de eficiência da empresa. Em meio às mudanças, cresceu a discussão sobre a criação de uma empresa própria dos Correios para entrega de cargas pelo País. Uma Medida Provisória começou a ser debatida na Casa Civil e no Ministério das Comunicações para ser concluída nos primeiros meses do próximo governo, o que atiçou os empresários.

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A nova empresa de logística é uma promessa do presidente dos Correios, David José de Matos, e do próprio coronel Artur. O projeto prevê a compra, com financiamento do BNDES, de uma frota de 13 aviões usados, de grande porte, com preço médio de US$ 30 milhões por aeronave. Hoje, os Correios gastam em torno de R$ 350 milhões por ano com o aluguel de aeronaves de empresas como a MTA. A chegada do coronel Artur à diretoria de Operações animou empresários, entre eles Alfonso Rey, a fazer parte do negócio, fundindo a MTA a outras empresas para oferecer os aviões ao governo.

Apoio do compadre. Em agosto, o Estado publicou reportagem mostrando os caminhos que levaram o coronel à diretoria dos Correios. Ele chegou à estatal com o apoio do compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira. Vinte dias antes de ele ser escolhido para a função, a MTA arrematou o contrato de uma das principais linhas da estatal, a Linha 12, que opera no trecho Manaus-Brasília-São Paulo.

Com R$ 44,9 milhões de lance, a empresa venceu o pregão eletrônico.

O nome do coronel Artur aparece num processo do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2009 em que a MTA tenta obter, em vão, sucesso num lobby para conseguir fazer transporte privado nos mesmos aviões que prestam serviços ao Correio. Os documentos mostram a procuração que o coronel tinha do casal de ''laranja'' do Rio de Janeiro para tocar a empresa no Brasil. Além dele, surge nesse mesmo processo o nome do empresário Fábio Baracat, que atuava, segundo os papéis, como representante da empresa em Brasília, o que a MTA vinha sempre negando.

Baracat foi quem deu a entrevista à revista Veja revelando que o filho de Erenice Guerra, Israel Guerra, cobrou dinheiro para ajudar a MTA dentro do governo Lula. O filho da ex-ministra montou uma empresa de assessoria, a Capital ,em nome do irmão Saulo e passou a fazer lobby na Esplanada no Ministério. O episódio culminou com a queda da mãe da chefia da Casa Civil, um dos postos mais importantes do governo federal.

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