Governo do Estado também tem escola de lata

O governo de São Paulo também tem salas de aula feitas de lata, semelhantes aos contêineres da Prefeitura. Os endereços dos locais, no entanto, não são divulgados pela Secretaria de Estado da Educação de SP. Construídos em caráter provisório por conta do déficit de vagas, os prédios não têm isolamento térmico: no verão, são quentes e no inverno, frios.Entre os lugares onde há aulas em contêineres está a Escola Estadual Bairro Ponte Alta, na periferia de Guarulhos. Ao lado de um prédio pré-fabricado, também feito provisoriamente, existe outro de dois andares - de metal - que abriga nove salas. A escola atende 1.820 alunos da 1ª à 4ª série do ensino fundamental nos três períodos.Ronaldo César Ferreira da Silva Araújo, de 8 anos, passou metade da 2ª série no contêiner. "Faz muito calor." Este ano, na 3ª série, mudou para a construção pré-fabricada. Também aluna da Bairro Ponte Alta, Thaís Santana Vieira da Silva, de 9 anos, tem aulas em sistema de rodízio porque não há salas para todos. Com isso, estuda dentro do contêiner durante parte da semana."Até a água lá dentro é muito quente, e a gente tem de levar uma garrafa gelada de casa." De acordo com a mãe de Thaís, Maria de Fátima Alves da Silva, de 36 anos, houve revolta quando os pais souberam que os filhos teriam aulas no edifício de metal. "Mas não tinha outra opção."Um professor que não quis se identificar explicou que tanto o contêiner quanto a escola pré-fabricada foram feitos por causa da construção de um outro prédio, de alvenaria, que vai abrigar todas as salas da escola. Erguido no mesmo terreno, está quase terminado. "Acredito que o contêiner será desativado. Deu para a gente agüentar até agora."A assessoria de imprensa da secretaria prometeu divulgar nesta terça-feira o número de salas em contêineres e prédios pré-fabricados. Na manhã desta segunda-feira, o secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita, mostrou à imprensa uma escola estadual de lata. A pré-fabricada, não a de contêiner. Ele visitou a Escola Estadual Jardim Aldefiori, em Perus, zona norte da capital, para mostrar as diferenças dos dois modelos."Havia denúncias de que as escolas pré-fabricadas seriam tão ruins como as de lata", justificou. Os prédios pré-fabricados são feitos com paredes revestidas de aço e metal e oferecem conforto térmico maior do que os contêineres.De acordo com o presidente da Fundação pelo Desenvolvimento da Educação (FDE) - responsável pelas construções -, Luiz José Preto Rodrigues, existem mil salas pré-fabricadas no Estado. Os edifícios levam cerca de três meses para ficar prontos. "Tem a vantagem de ser rápido", observou. Segundo ele, os preços, contudo, ficam 20% a 30% maiores do que os de uma escola de alvenaria.Os locais também têm problemas. "À tarde, quando faz um calor de 30º, fica muito abafado", disse a dona de casa Silvana Aparecida Siqueira da Silva, que tem uma filha estudando na 4ª série. O aluno Rubens Eduardo Fidélis dos Santos, de 8 anos, teve aula em uma das salas mais quentes no ano passado. "Também batia sol na lousa, porque tinha só um pedaço de cortina."A diretora da escola, Márcia Lucas de Oliveira, afirmou que 22 ventiladores serão instalados nesta semana. Durante o lançamento do Prêmio Escrevendo o Futuro , no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, voltou a falar sobre o assunto. "Como eu já havia deixado claro para a prefeita Marta Suplicy, acho que todas essas escolas devem ser desativadas", disse.Mas continuou desinformado. "Não tenho conhecimento de escolas estaduais na mesma situação, mas, se houver, farei o mesmo apelo à secretaria estadual para que sejam desativadas."

Agencia Estado,

30 de abril de 2002 | 00h00

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