Governo do Rio anuncia construção de UPP no Morro da Mangueira

Bope e Batalhão de Choque ocuparão o Morro da Mangueira até junho para instalação da UPP

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2011 | 10h09

RIO - O governo do Rio anunciou nesta segunda-feira, 30, que o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ocupará até meados de junho o Morro da Mangueira para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da zona norte da cidade. A ocupação da Mangueira, localizada a 2 km do Estádio do Maracanã, fechará o cinturão de UPPs nas favelas da zona norte da cidade planejado para a Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Em nota, o governo do Estado informou que "com o fechamento deste cinturão, o trajeto até o complexo esportivo poderá ser feito desde a Zona Sul, passando pelo Centro da cidade, sem que se passe ao lado de favelas dominadas por traficantes."

 

De acordo com o comandante do Bope, o tenente coronel Wilman Rene Alonso, a divulgação da ocupação é parte de uma estratégia de "guerra avisada". "O objetivo é diminuir a possibilidade de confrontos", explicou. Ontem, em redes sociais da Internet moradores comentavam que os traficantes já saíram da favela. A estimativa é que pelos 250 homens ocupem o Morro da Mangueira, além dos morros vizinhos do Tuiuti e dos Telégrafos.

 

A Mangueira será a 18ª UPP e a 25ª favela pacificada. Desde o dia 19, o Bope realiza incursões na Mangueira para enfraquecer o tráfico de drogas. Na primeira operação, os policiais descobriram um túnel para fuga com 200 metros de extensão, com revestimento e iluminação. No dia seguinte, os agentes apreenderam na favela 34 motos e seis carros roubados. No dia 21, Rogério Marcelino Costa, apontado como traficante pela polícia, morreu ao trocar tiros com o Bope. O corpo dele foi retirado da favela em um carrinho de supermercado. Na ocasião, seis pessoas foram presas em um baile funk, duas pistolas 9mm apreendidas junto com dois quilos de maconha, munição, celulares e R$ 10 mil usados numa tentativa de suborno.

 

Revoltados, os frequentadores do baile apedrejaram policiais do Bope. "Foi um acontecimento pontual motivado pelo término de um baile onde haviam usuários de drogas e pessoas bêbadas. Havia um sentimento de turba. Acredito que 99% da população da Mangueira aguarda a chegada do Bope para o início da pacificação. Logo, não acredito que haverá problemas (na ocupação)", afirmou o comandante do Bope.

 

Prazo. O Governo do Rio adiou as inaugurações das UPPs para os conjuntos de favelas do Alemão e da Penha. Previstos inicialmente para o primeiro semestre de 2011 pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, a implantações das unidades foram transferidas para o segundo semestre. Ontem, o governo divulgou que "até o final do ano" deve instalar nove UPPs nas favelas. Desde dezembro de 2010, as comunidades seguem ocupadas pelo Exército com a chamada Força de Pacificação.

 

A estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Rio é que sejam necessários pelo menos 2 mil homens para patrulhar os dois complexos de favelas.

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