Governo do Rio aperta cerco contra armas ilegais

O governo do Estado quer apertar o cerco contra a circulação de armas ilegais no Rio. Ainda este mês, entrará em funcionamento a Delegacia de Controle e Repressão a Armas de Fogos e Explosivos, que vai investigar a origem de todo o armamento apreendido pela polícia nas mãos de criminosos. Segundo o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, a nova unidade foi criada para reduzir a violência no Estado. Quintal criticou o controle de armamento vindo de outros países para o Brasil feito pela Polícia Federal e pelas Forças Armadas. Nos últimos cinco anos, 50 mil armas foram recuperadas, de acordo com dados da secretaria.A nova delegacia - criada por um decreto assinado ontem pelo governador Anthony Garotinho - vai complementar o trabalho já feito pela Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (Dfae), que fiscaliza lojas, abriga o armamento apreendido e registra todas as armas legais do Estado. "A Dfae vai continuar com suas funções administrativas. A delegacia vai fazer o papel da polícia judiciária, que abre inquérito, investiga e prende os criminosos", afirmou o secretário. Quintal disse ainda que o delegado da nova unidade vai trabalhar em cooperação com as Forças Armadas e a Polícia Federal, que são responsáveis pelo monitoramento da entrada de armas no País. "Essas instituições têm falhado. O Estado do Rio vem chamando há algum tempo a atenção de entidades nacionais e internacionais para a repressão da entrada e da circulação de armas", afirmou o secretário - que revelou que, em agosto, será realizado no Rio um encontro nacional para discutir formas de controle da circulação de armamento.Reunião - O anúncio da criação da delegacia foi feito por Josias Quintal durante reunião do Conselho de Segurança do Estado, que congrega 60 entidades civis e militares. Durante o encontro, o coordenador do movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, propôs a destruição, até o fim deste semestre, de 100 mil das 250 mil armas que hoje estão guardadas no depósito da Dfae. "Quanto mais armas forem destruídas, menor é a possibilidade de elas serem desviadas e irem parar nas mãos dos traficantes", disse. Dados do Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser), divulgados na reunião por Fernandes, mostram que o Brasil é o primeiro país no mundo em taxa de homicídios causados por armas de fogo. Na faixa etária de 15 a 19 anos, as armas provocam 59% das mortes, segundo pesquisa do Iser de 1999. O levantamento revela ainda que 83% do armamento recuperado pela polícia havia sido fabricado no Brasil. Do total, 88% são armas pequenas, como revólveres e pistolas. Ainda durante a reunião do Conselho de Segurança, Josias Quintal informou que o número de homicídios verificado no Estado em janeiro (494 registros) foi a menor dos últimos dez anos.

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