Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Governo do Rio decide antecipar aumento para bombeiros

Representantes do movimento desautorizaram qualquer negociação em nome de manifestantes presos

Pedro Dantas e Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2011 | 14h19

RIO - Pressionado por bombeiros que protestam há quase uma semana por melhores salários, o governo do Rio decidiu antecipar parte do aumento previsto para os servidores da corporação, que deverão receber vencimentos 5,58% maiores em julho. O governador Sérgio Cabral estendeu o benefício a policiais civis, militares e agentes penitenciários, que nos últimos dias vêm demonstrando apoio ao movimento iniciado pelos bombeiros.

 

A determinação de Cabral antecipa em seis meses os aumentos previstos até dezembro no plano gradual de aumento de salários dos servidores das quatro categorias, previsto para 48 meses, com 0,915% de aumento a cada parcela. Com a decisão, os reajustes anunciados para o segundo semestre serão concentrados em julho.

 

Os manifestantes exigem imediata elevação do piso salarial da corporação de R$ 950 para R$ 2000.

 

Cabral também decidiu retirar o Corpo de Bombeiros do escopo da Secretaria de Saúde do Estado e criou uma Secretaria de Defesa Civil, que será comandada pelo novo Comandante do Corpo de Bombeiros, Coronel Sérgio Simões. Ele está à frente da corporação desde sábado, 4, um dia depois que manifestantes invadiram o quartel central dos bombeiros.

 

Presos. Em entrevista coletiva, os representantes do movimento dos bombeiros do Rio desautorizaram as associações e clubes de cabos e soldados a negociar com o governo do Estado em nome dos presos. "Nenhuma associação negocia em nome dos presos. A prioridade agora é pedir a liberdade e anistia para os bombeiros", disse Cristiane Daciolo, de 38 anos, mulher do cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento, que está preso no Grupamento Especial Prisional dos Bombeiros, em São Cristóvão, na zona norte da cidade.

 

"Este movimento não nasceu de entidade, de políticos ou de um oficial da corporação. Surgiu de cabos e soldados revoltados com os salários e condições de trabalho aviltantes. Briga salarial só depois que os nossos colegas estiverem soltos", afirmou o cabo Laércio Soares, do Grupamento Marítimo da Barra da Tijuca.

 

Ele disse ainda que a reivindicações de um piso salarial de R$ 2 mil e vale transporte estão mantidas. O guarda-vidas agradeceu o apoio de entidades representativas dos policiais militares, mas negou a unificação da luta por melhores salários. A Defensoria Pública do Rio anunciou que ainda hoje vai recorrer da decisão da Justiça Militar que negou na noite de ontem a liberdade para os bombeiros presos.

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