Governo do Rio ensina como proceder durante uma blitz

A Secretaria de Segurança Pública do Rio iniciou hoje uma campanha de conscientização da população sobre os seus direitos e deveres durante uma blitz da Polícia Militar, tipo de operação cada vez mais freqüente na capital. O secretário Roberto Aguiar e o comandante da PM, Francisco Braz, participaram ativamente da promoção do projeto e chegaram a parar carros e subir em ônibus para distribuir as cartilhas informativas de 12 páginas a motoristas, em Copacabana.A batida inaugural foi interrompida pelo atropelamento de Adolfina Novais, 73 anos, em outra pista da mesma avenida, uma das principais vias de acesso entre a Zona Sul e o Centro. Guardas municipais, policiais militares e integrantes da cúpula da Secretaria de Segurança suspenderam as atividades para socorrer a vítima, que havia sido atingida por um táxi e tinha suspeita de várias fraturas. O comandante da PM ficou por cinco minutos ajoelhado junto a Adolfina, segurando sua mão e a consolando. Dez minutos depois, uma ambulância do Corpo de Bombeiros chegou e levou a mulher para o Hospital Miguel Couto, na Gávea.Após o incidente, a operação não continuou. A intenção das 50 mil cartilhas produzidas é orientar o cidadão comum sobre como deve proceder ao ser parado por PMs no trânsito. "Ao ser abordado, não reaja à ação policial nem se sinta ameaçado, constrangido ou ofendido. Coopere com a sua polícia!", diz texto na capa da cartilha.?Cidadão cooperativo?O panfleto explica o que são as blitze, seus objetivos - inibir crimes - e o modo de atuação padrão das autoridades, que devem "evitar qualquer tipo de discriminação preconceituosa" e "jamais submeter o cidadão a situação humilhante e vexatória". Entre as dicas para o "cidadão cooperativo", a cartilha recomenda manter as luzes internas acesas e as mãos em lugar visível e evitar "atitudes bruscas que possam fazer o policial se sentir ameaçado".Braz disse que a corporação está "retreinando" seus homens e que 20 mil policiais militares terão passado por uma reciclagem até o fim deste ano. "O programa inclui instruções de como se abordar viaturas e aulas de Direitos Humanos e tiro", afirmou.Na contracapa do material informativo, há um alerta que pretende inibir as práticas de extorsão e suborno. "Agente da lei não pode exigir, solicitar ou receber qualquer tipo de gratificação por serviços prestados. Isto é crime. A penalidade é a mesma para quem dá e para quem recebe a gratificação." A Secretaria de Segurança prevê o lançamento de outra cartilha, sobre procedimentos de revista pessoal nas ruas.

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