Governo do Rio está blindando helicópteros policiais

A Secretaria de Estado de Segurança Pública está blindando os helicópteros usados em operações policiais. Segundo a Coordenadoria Geral de Operações Aéreas (CGOA) da Polícia Civil, existem registros de aeronaves atingidas por tiros disparados por bandidos durante patrulhamento em favelas do Rio. Dos quatro aparelhos que são utilizados para ações policiais, um já foi blindado.Se acordo com o coordenador geral do CGOA, Antônio Maia, a blindagem de um helicóptero custa R$ 60 mil. Dos nove aparelhos que compõem a frota, somente os que fazem operações serão blindados - os demais servem para transporte de autoridades e de médicos. A média de utilização das aeronaves em favelas é de três vezes por semana. As ações têm como objetivo localizar traficantes no alto dos morros e também resgatar policiais encurralados por bandidos, afirmou Antônio Maia.O secretário de Segurança, Roberto Aguiar, afirmou que o governo busca contribuições da iniciativa privada para intensificar o policiamento utilizando helicópteros. "Se fosse só o combustível, tudo bem. Mas o helicóptero tem ainda a manutenção, que é feita de acordo com as milhas voadas", disse Aguiar. Cada hora de vôo de uma aeronave como essa custa ao governo R$ 1,5 mil (o cálculo é feito com base no preço do combustível e da manutenção).O coordenador do CGOA disse que as operações em favelas são "arriscadíssimas". "É um esforço muito grande que a polícia faz para combater o tráfico. O helicóptero é a única solução nesse caso, porque os traficantes têm vantagens por estarem sempre na parte mais alta dos morros." Em 1995, um tenente da Polícia Militar que estava dentro de um aparelho do CGOA sobrevoando o Morro do Cavalão, em Niterói, Grande Rio, levou um tiro de fuzil disparado por um traficante e morreu na hora. Hoje, os helicópteros levam três ou quatro atiradores de elite, que têm visão privilegiada para localizar bandidos.IntegraçãoRoberto Aguiar defendeu uma maior integração entre o morro e o "asfalto" para combater a violência. Ele disse que a experiência mostra que, nas localidades onde os moradores de prédios e casas vizinhos se unem para ajudar habitantes das favelas, o índice de criminalidade cai. "O Rio precisa de um choque de generosidade para acabar com a violência", afirmou Aguiar, durante reunião na Câmara de Comércio Americana. Um exemplo é a comunidade do Pereirão, em Laranjeiras, zona sul do Rio. Os vizinhos, de classe média, criaram um cursinho pré-vestibular para a comunidade, com professores voluntários, ao mesmo tempo em que a PM ocupou a favela, em 1998. Com isso, o número de tiroteios diminuiu drasticamente.De manhã, a cúpula da segurança do Estado recebeu um grupo de jovens no Quartel Geral da PM para lançar o programa "Diz aí: a Voz da Juventude". O projeto visa a debater as formas de relacionamento entre jovens e os órgãos de segurança do Estado. A governadora Benedita da Silva (PT) pediu a participação da juventude em sua política de segurança. "Desejo que vocês sejam porta-vozes e participantes deste governo. Quero ouvir vocês. Como vamos aprender se não houver quem diga?"

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