Governo do Rio está irritado com operação em Bangu

A operação do Ministério Público no presídio de Bangu 1 - considerado de segurança máxima - irritou o secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar. Segundo ele, o governo tenta, na Justiça, tirar do Estado o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, transferido há dois meses para o Rio por decisão da Vara de Execuções Penais de Brasília. "Eu quero que tirem o Fernandinho do Rio de Janeiro", declarou.Aguiar criticou a ação dos promotores em Bangu 1. "O Ministério Público saiu dos seus limites ao querer demitir pessoas e proibir a entrada do secretário de Justiça em Bangu I, o que é inconstitucional. A ação foi um desrespeito aos poderes, foi pouco profissional e histérica", criticou o secretário, em Brasília. "O aparato montado pelo MP foi completamente disforme e desproporcional. A ação foi autoritária e truculenta. O MP pisou na bola", afirmou.O secretário de Justiça do Estado, Paulo Saboya, também atacou a atitude de promotores, considerada por ele desastrosa, e reclamou de não ter sido avisado pelo MP e pela Polícia Federal sobre a operação no presídio. "Existe alguma coisa para desestabilizar o governo", afirmou. A governadora Benedita da Silva (PT) também insinuou que haveria interesse político por trás da operação do MP em Bangu 1. "Não posso afirmar nada até que me provem o contrário", declarou. Ela afirmou ainda que a secretaria havia solicitado há 20 dias autorização para o rastreamento de ligações no presídio. "O que o Ministério Público fez foi um absurdo."O secretário de Justiça criticou a PF: "Desde que Fernandinho Beira-Mar veio transferido para cá ele está sendo monitorado pela Polícia Federal. Agora, a mesma Polícia Federal que diz estar em parceria conosco não nos informa da operação? Que força-tarefa é essa? A força-tarefa vai acumular informações e depois estourar nas manchetes dos jornais como se o Rio de Janeiro, o sistema prisional do Rio de Janeiro fosse uma peneira. Existe alguma coisa para desestabilizar o governo", afirmou Saboya. "Não vamos ganhar a luta contra o crime agindo assim. A operação não é questionável, apenas a maneira como foi feita. Se a ação fosse conjunta daria melhor resultado. A força-tarefa não se realiza dessa forma. O que se realiza são investigações paralelas."CelularSaboya afirmou que em 45 dias o equipamento para bloquear ligações de celulares em Bangu 1 poderá ser instalado, caso se confirme a liberação, pelo governo federal, da verba necessária para a implantação do sistema, de R$ 160 mil. Ele teria recebido ontem telefonema da Secretaria Nacional de Justiça informando que o governo federal autorizou a libereção da verba. Segundo Saboya, a experiência poderá ser estendida para todos os presídios do Estado. O secretário vai a Brasília, na semana que vem, negociar uma verba de R$ 60 milhões para a melhoria do sistema penitenciário do estado.Hoje, o MP divulgou uma cópia do livro de registros de Bangu em que há uma solicitação para que o secretário não entrasse no presídio, "por razões de segurança", assinada promotores. "E se ele fosse apanhado como refém. Acredito que se o MP tomou essa posição foi pela segurança do secretário", disse a juíza Sônia Maria Garcia Gomes Pinto, que autorizou a operação. O diretor-geral do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), Edson de Oliveira Rocha, disse ter sido avisado na noite de segunda-feira sobre a operação do MP no presídio pelo comandante do Batalhão de Operações Especiais da PM, coronel Venâncio Moura, que deu apoio ao MP no cumprimento do mandado de busca e apreensão. Imediatamente, Rocha teria entrado em contato com o secretário Paulo Saboya, que também ignorava a investigação. A Vara de Execuções Penais (VEP) também foi alertada. Para o delegado Irineu Barroso, titular da 34.ª DP, que investiga o caso, não houve um vazamento, mas uma comunicação administrativa. "Mas o MP pode ter outra interpretação", observou o policial, que hoje se encontra com os promotores. Ele admite que a comunicação pode ter prejudicado a operação do MP.Na manhã de terça, Rocha telefonou para o diretor do presídio, Durval Pereira de Melo, com quem marcou um encontro às 7 horas em frente ao 14.º Batalhão, em Bangu. Lá, os dois foram avistados pela promotora Valéria Videira. De acordo com o depoimento de Melo, ao vê-los, a promotora teria dito: "A informação foi vazada". Ela, então, leu para ambos o mandado de busca e apreensão e determinou que eles acompanhassem a revista como testemunhas. Rocha e Melo tiveram suas armas e telefones apreendidos. "Fiquei detido. Ela (Valéria) chegou ao ponto de me ameaçar com voz de prisão. Fui tratado como suspeito", disse Rocha, ontem, ao chegar à delegacia para prestar depoimento.

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