Governo do Rio volta a separar facções de presos

Dois meses depois de juntar presos de duas facções criminosas rivais na penitenciária Bangu 3, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio decidiu dividi-la em duas unidades distintas, a fim de evitar confrontos entre os grupos. Por conta das obras que serão realizadas, parte dos detentos foi transferida hoje. Além da separação interna das galerias, que já existe graças à colocação de chapas de aço, a parte externa do presídio será duplicada: haverá duas portarias independentes. Para aumentar ainda mais a segurança, também serão instaladas câmeras blindadas, resistentes a ações contundentes e a fogo, circuito interno de TV e aparelhos de raio x, a serem colocados nas duas entradas. Tudo será feito com recursos liberados por conta da decretação da situação de emergência no sistema prisional. Por abrigar facções inimigas, Bangu 3 já possuía locais diferentes para atendimento de advogados, defensoria pública, médicos, dentistas e psicólogos. A única parte ainda comum era a quadra de visitas, utilizada em dias alternados.Agora, serão ?duas penitenciárias totalmente separadas?, conforme disse o secretário, Astério Pereira dos Santos. Além de evitar embates entre os bandidos, a medida também visa a coibir a corrupção dos agentes, que, antes, transitavam entre as galerias do Comando Vermelho e do Terceiro Comando. Haverá, afirmou Santos, ?administração, corpo funcional, portaria, entrada de visitantes e quadra de visitas distintos. Porém,nenhuma delas será da facção A ou B. Os presos serão movimentados constantemente de uma cadeia para outra.? Além das obras para a separação da estrutura, toda a rede de esgoto de Bangu 3 será revista. O prazo de conclusão é de 90 dias.Hoje, foram removidos cerca de 400 internos ligados ao Terceiro Comando. Eles foram levados de volta a Bangu 2, de onde haviam sido retirados em abril. A mistura de presos havia provocado críticas da defensoria pública, dos agentes penitenciários e do juiz titular da Vara de Execuções Penais, Carlos Augusto Borges.

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