Governo do RS tenta apaziguar ânimos em São Gabriel

O governo do Rio Grande do Sul vai articular uma reunião do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, com o prefeito de São Gabriel, Rossano Dotto Gonçalves (PDT) e lideranças rurais do município com o objetivo de apaziguar os ânimos e evitar conflitos dos agropecuaristas com os 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra que caminham em direção ao município da região Fronteira Oeste do Estado. A decisão foi tomada em reunião do secretário estadual da Reforma Agrária e Cooperativismo, Vulmar Leite, com o prefeito e produtores rurais de São Gabriel, nesta sexta-feira.A expectativa do prefeito e lideranças rurais é que o governo federal venha a deter a marcha dos sem-terra. Mas um dos líderes do movimento, Miguel Stédile, avisa que a caminhada, que partiu de Pantano Grande e está em Cachoeira do Sul, seguirá. "Sabíamos que enfrentaríamos essa reação", diz, referindo-se às ameaças feitas ao MST em São Gabriel. "Por isso pedimos, ainda antes de sair, que o governo do Estado oferecesse segurança à marcha."Ao sair do encontro, Leite admitiu que o clima na região é belicoso e que há muita resistência em reconhecer a legitimidade do MST como movimento social. "Tentamos demovê-los, mas eles foram resistentes", constatou. Lembrando que o papel do Estado é garantir a integridade dos dois lados, Leite disse às lideranças rurais que qualquer movimento social tem o direito de fazer suas manifestações desde que fique nos limites da lei.A pedido do governo estadual, a Brigada Militar já prepara operações especiais para evitar conflitos. Quando os sem-terra chegarem à cidade, possivelmento no final deste mês, serão cercados pelos ruralistas. O coronel Cláudio Afonso garantiu que, se necessário, dará toda a segurança à comunidade, aos proprietários de terra e aos integrantes da marcha dos sem-terra.Em seu esforço para apaziguar os ânimos, Leite vai ao encontro da marcha dos sem-terra neste sábado, em Cachoeira do Sul para pedir que respeitem a lei nas manifestações que fizerem e reflitam sobre os ânimos exaltados que podem encontrar se insistirem em entrar em São Gabriel, mesmo que pacificamente. A marcha dos sem-terra começou depois que a ministra Ellen Gracie Northfleet, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a desapropriação de 13,2 mil hectares, pertencentes a Alfredo Southall, que havia sido decretada pelo governo federal.

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