Governo e direção do PT tentam selar união

Para evitar nova derrota no Congresso, Planalto e lideranças do partido vão a campo para pacificar a bancada de deputados

Eduardo Bresciani e Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

Governo e lideranças do PT desencadeiam nesta semana uma operação para enquadrar os grupos do partido conflagrados desde a disputa pela presidência da Câmara. A preocupação é evitar que esse racha promova instabilidades no novo comando político do Palácio do Planalto, reacendendo o "fogo amigo" e levando o governo a sofrer derrotas no Congresso.

O presidente do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), está acionando ex-presidentes da sigla e ex-líderes da bancada na Câmara para tentar pacificar o clima entre os deputados. Ele conta com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atuar como bombeiro na disputa entre os grupos que se enfrentaram na tentativa de fazer o sucessor de Luiz Sérgio na Secretaria de Relações Institucionais.

A nova ministra, Ideli Salvatti, já deu o tom do que o governo espera dos campos envolvidos na disputa. "Se há um partido que tem a obrigação da unidade é o PT. Isso não é um desejo, a unidade é uma obrigação", afirmou ela, ontem.

A divisão entre os grupos remete ainda à escolha do candidato petista à presidência da Câmara. Marco Maia (RS) se uniu aos grupos de Arlindo Chinaglia (SP) e de Paulo Teixeira (SP) e derrotou Cândido Vaccarezza (SP), apontado na ocasião como o preferido do Planalto. Após esse round, Vaccarezza conseguiu se manter como líder do governo na Casa e ainda emplacou Luiz Sérgio no ministério de Dilma contra a vontade do grupo de Maia.

Desde então, as duas alas vêm trabalhando como bancadas independentes.

Essa disputa se transferiu para as votações durante o embate sobre o Código Florestal. O grupo de Maia acusa Vaccarezza de ter se articulado com o PMDB, isolando o PT. A divisão também pôde ser vista quando o líder do governo procurou lideranças de outros partidos com objetivo de se cacifar para chefiar a pasta das Relações Institucionais, enquanto o grupo de Maia trabalhava o nome de Chinaglia.

Ideli considera normal a existência de disputas, mas pede aos dois grupos que tenham paciência e busquem um entendimento. "Todos os partidos têm briga interna. Uns são mais discretos, outros menos. Quando não tem espaço, tem que organizar a fila. As pessoas precisam ter clareza de que têm de aguardar."

Protagonismo. Os dois lados reconhecem a necessidade de união e observam estar perdendo espaço e protagonismo político na Câmara para o PMDB, apesar de a bancada do PT ser maior. Eles entendem que, ao escolher Ideli em detrimento das opções defendidas pelos grupos, a presidente Dilma Rousseff mandou um recado claro: dividida, a bancada não será atendida.

Além de uma solução para a briga interna do PT, a ministra promete empenho para afinar a relação entre petistas e peemedebistas. Para ela, dessa união depende o sucesso do governo. "O PMDB integrou a chapa. Esses partidos são a espinha dorsal do governo Dilma."

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