Governo é responsável por cartilhas, diz ONU

O escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil informou ontem, por escrito, que o governo brasileiro é o responsável pelo conteúdo do kit com cartilhas, livros e cartazes que pede voto para mulheres e inclui um discurso da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Leandro Colon / Brasília, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

Em nota, o PNUD informa que apenas arcou com os custos do material por meio de uma parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres. "A organização destas publicações, diagramação e formatação foram conduzidas pelos nossos parceiros nacionais. São responsáveis pela execução dos projetos", diz o PNUD. A existência do material foi revelada pelo Estado na quinta-feira.

Diante da revelação, a pedido da campanha petista, o Palácio do Planalto pediu para a Secretaria das Mulheres interromper a distribuição das publicações. Foram produzidas 215 mil cartilhas, três mil livros e 20 mil cartazes ao custo de R$ 72 mil. Embora o conteúdo do kit tenha sido produzido em 2008 e 2009, apenas em maio passado foi impresso na gráfica.

O PNUD explica que aceitou o projeto porque sua atuação no País "tem sido de estimular o diálogo e o debate em âmbito nacional sobre a participação feminina nos processos políticos e nas instâncias de tomada de decisão". O programa da ONU destaca que foi o governo brasileiro quem pediu que fosse feita uma licitação para uma gráfica produzir material. "Informamos ainda que a licitação dos serviços gráficos foi realizada pelo PNUD no âmbito dos seus projetos de cooperação atendendo a pedidos do governo brasileiro e que a distribuição ficou sob a responsabilidade da Secretaria de Políticas para Mulheres", diz a nota.

O polêmico material começou a ser enviado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres em junho a partidos políticos, deputados, senadores e demais candidatos nos Estados. Em nota, a secretaria negou qualquer intuito eleitoreiro e afirmou que as publicações foram distribuídas até junho, antes do início oficial da campanha. O advogado de Dilma, Márcio Silva, também afirmou que não vê propaganda eleitoral no material.

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