Governo endurece e só negocia após fim de greve da Polícia Civil

Secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, diz que ?governo não trabalha sob pressão?

Marcelo Godoy e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

O governo do Estado de São Paulo resolveu endurecer com os policiais civis em greve. O secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, afirmou ontem que as negociações só serão retomadas quando a paralisação acabar. "O governo não trabalha sob pressão. Essa greve não contribui em nada", afirmou. Segundo ele, não haverá nova proposta nem mesmo as já feitas serão encaminhadas à Assembléia Legislativa. Beraldo fez um apelo para que os policiais garantam o atendimento à população e não descartou a possibilidade de a Polícia Militar registrar boletins, como já ocorreu em Botucatu.No segundo dia de greve dos policiais civis, as entidades comemoraram aumento de adesão. Até as 19 horas de ontem, o número de boletins de ocorrências registrado nos 93 Distritos Policiais da capital havia sido 57,5% inferior ao computado na segunda-feira - último dia útil antes da greve. "O governo não negocia com a greve? Ora, ele não negociou sem a greve. Desde fevereiro tentamos abrir negociação", afirmou o delegado André Dahmer, da associação dos delegados de polícia.Beraldo afirmou que desde 2007 o governo tem revalorizado as carreiras policiais. O governo, segundo ele, vai rever a política de gratificações. Nas administrações anteriores, se optou por reajustar as gratificações, que não são incorporadas ao salário, deixando assim, inativos sem aumento. A medida acabou por paralisar o fluxo de promoções, pois as aposentadorias se tornaram mais raras.Beraldo afirmou que o governo propôs a passagem de policiais de primeiro nível para o segundo e a extinção do nível mais baixo da gratificação, o que provocaria reajuste de 38% no piso salarial de um delegado - de R$ 3.708 para R$ 5.117. O governo pretendia reestruturar as carreiras a fim de facilitar as promoções, beneficiando cerca de mil policiais - há 35 mil. "As reivindicações dos policiais são irreais", disse Beraldo. Os delegados exigiam 60% de reajuste, mas, nas negociações no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), concordaram em receber 15% em 2008, 12% em 2009 e 12% em 2010. O governo rejeitou.De acordo com as entidades, a adesão à greve chegou perto de 90%. Segundo Dahmer, os policiais cumprem a determinação do TRT de manter 80% do pessoal no trabalho. "Todo caso grave está sendo atendido. Orientamos a população a registrar depois da greve os casos de menor importância. A população sabe que estamos lutando por uma polícia melhor."Um grupo de delegados fez à tarde protestos na frente das delegacias dos Jardins e do Itaim-Bibi. Cerca de dez pessoas distribuíram panfletos e exibiram holerites. Segundo eles, a adesão só não é total porque há pressão. "Os diretores ficam ameaçando com ?bondes?, que é transferir os delegados para DPs longe", diz a delegada Karla Regina. O Ministério Público abriu inquérito para verificar se houve cumprimento da determinação do TRT. Caso o cidadão se sinta prejudicado com a falta de serviço, poderá reclamar na Secretaria de Segurança Pública pelo telefone: (11) 3291-6500.

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