Governo espera vitória ainda maior no Senado

Líderes da base esperam no mínimo 58 votos a favor do piso de R$ 545; oposição dá derrota como certa, mas vai aproveitar debate para criticar Dilma

Rosa Costa, Eduardo Bresciani e Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

A base aliada no Senado quer mostrar na votação do salário mínimo de R$ 545 que é ainda mais "governista" do que a bancada da Câmara na sustentação das propostas de interesse do Planalto. Os líderes aliados trabalham para garantir o voto de pelo menos 58 dos 81 senadores na sessão de quarta-feira. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), deverá ser o relator.

É certo que não haverá dissidências em pelo menos cinco partidos da base da presidente Dilma Rousseff: PTB, PR, PDT, PSB e PC do B. Fora isso, PMN, PRB e PSC têm um único senador cada e tampouco vão deixar de apoiar o governo.

Nas maiores bancadas (PMDB, PT e PP), estima-se que devem votar contra o governo três peemedebistas e dois gaúchos - Paulo Paim (PT) e Ana Amélia Lemos (PP).

A derrota das emendas de R$ 560, defendida pelos sindicalistas, e de R$ 600, de iniciativa do PSDB, é dada como certa. "Não podemos iludir a opinião pública de que vamos vencer", disse Itamar Franco (PPS-MG).

Mas o tom dos discursos deve incomodar mais o Planalto, por partir de parlamentares de maior peso político. "Na campanha eleitoral, tinham pleno conhecimento do mínimo de R$ 600 e não falaram nada, por falta de argumentos ou de coragem", provoca o tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP).

A alegação dos opositores ao mínimo proposto pelo governo vai desde o aumento da arrecadação no País a compromisso com as centrais sindicais. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) chama a proposta do Planalto de "conservadora" e "equivocada".

Mesmo com favoritismo, os líderes governistas agem com cautela, a ponto de vetar audiências públicas, como ocorreu na Câmara. Jucá alega que os senadores "conhecem a proposta e estão em condição de votar".

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), entregou ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, emenda isentando a cesta básica da incidência do ICMS, alegando que isso manteria o poder de compra dos trabalhadores. Palocci ficou de levar a proposta à equipe econômica, que deve transferir a decisão ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o que inviabiliza seu exame na quarta-feira.

Tramitação. Jucá acredita que o texto aprovado na Câmara será mantido na íntegra. Na terça-feira, um representante da área econômica apresentará números e projeções para justificar os R$ 545. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), quer submeter o texto à comissão na manhã de quarta-feira, mas o governo trabalha para levar o texto direto ao plenário.

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