Governo faz campanha antidrogas em festival de rock

Usando um par de tênis importado, camisa de malha e calça jeans, o general Paulo Roberto Uchôa, secretário nacional antidrogas, foi hoje ao Festival Porão do Rock para reforçar a campanha do governo de combate ao uso de substâncias tóxicas. Com um público estimado em 40 mil pessoas em cada uma das duas noites de shows, o festival - o maior de Brasília - despertou o interesse da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para popularizar informações sobre os males causados pelos entorpecentes."Eu sou meio antiquado, o rock não está entre os meus ritmos preferidos, mas é a música das minhas filhas", disse o general numa entrevista ao lado dos organizadores do evento. Depois de passar pelo público formado por jovens com piercing no rosto e cabelos coloridos, Uchôa confidenciou que prefere forró e música sertaneja, toca violão e já arriscou compor canções. "Quem é que não gosta de um bom forró?"Ele não subiu ao palco, para onde estão escalados artistas como o cantor Supla e o grupo Rappa. Negou, no entanto, ter tido receios de ser incompreendido pela "galera". "Só subiria lá se fosse para cantar", brincou. Descontraído, o secretário nacional antidrogas evitou comentar o período da última ditadura no País (1964-1985), em que militares entraram nos eventos de música (como o caso Riocentro, em 1981) para jogar bombas ou dar botinadas nos "elementos subversivos" e "terroristas". "Muitos fatores estigmatizaram essa relação (entre militares e jovens), falo também de policiais militares", disse. "Nosso trabalho no Porão do Rock não é repressivo, apenas recomendamos que eles (jovens) não usem drogas para não perderem o show. Queimem os neurônios, mas não deixem que derretam."Sobre o uso de álcool nas áreas de acesso ao festival, o general disse que o trabalho de repressão era de responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. "Certamente, a maioria dos jovens é a favor dessa repressão", avaliou. Uchôa apresentou uma pesquisa feita pela Senad que mostra que 94,5% das pessoas entrevistadas na noite de sábado, no Porão do Rock, consideraram que o festival é o local adequado para o trabalho de prevenção às drogas. Das 110 pessoas ouvidas, 5,5% disseram que o espaço é impróprio e a campanha ineficaz. "Os melhores resultados nessa área são obtidos com parcerias entre governo e sociedade, através da música e dos esportes", disse o chefe do UNODC no Brasil, o italiano Giovanni Quaglia. "Essa aproximação é mais fácil no Brasil, pois aqui a cultura não é tão rígida."

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