Reprodução Redes Sociais
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Governo federal dispensa o número 2 da PRF após caso da 'câmara de gás' em Sergipe

Diretor-executivo e diretor de inteligência foram dispensados das funções nesta terça-feira, 31. Relação com o caso da semana passada não foi esclarecida

Isabela Moya, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 07h49
Atualizado 31 de maio de 2022 | 11h55

O diretor-executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Jean Coelho, foi dispensado das suas funções nesta terça-feira, 31, conforme publicação no Diário Oficial da União, assinada pelo Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Também foi dispensado o diretor de inteligência, Allan da Mota Rebello.

A dispensa ocorre uma semana depois da morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, vir à tona. O homem foi posto no porta-malas de uma viatura da corporação, que foi transformada por agentes em uma "câmara de gás", em uma tentativa de contê-lo durante uma abordagem. A vítima morreu no mesmo dia após ser atendida em um hospital de Umbaúba, no sul de Sergipe.

A relação entre a dispensa dos diretores e esse caso não foi esclarecida pelo governo. Apesar de assinada pelo ministro Ciro Nogueira, a decisão da exoneração, segundo a Casa Civil, cabe ao órgão ou ministério ao qual os servidores são vinculados. Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que as saídas de Jean Coelho e Allan Rebello das funções que exerciam na PRF foram definidas em meados de maio.

Jean Coelho assumiu o cargo de diretor-executivo da PRF há um ano, em maio de 2021, e trabalha no órgão desde 2005. Ele estava à frente da PRF ao lado do diretor-geral Silvinei Vasques.

Posicionamento da PRF sobre 'caso Genivaldo'

Após a divulgação da morte de Genivaldo, a PRF se posicionou dizendo que, durante a abordagem da equipe, o homem teria reagido de forma agressiva e precisou ser contido com técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo. O órgão disse ainda que abriu procedimento disciplinar para averiguar a conduta dos policiais envolvidos, que foram afastados.

Além da apuração aberta na esfera criminal, para acompanhar as investigações sobre a responsabilidade dos policiais pela morte de Genivaldo, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão abriu uma apuração no âmbito cível sobre "violações aos direitos dos cidadãos e, em especial, aos direitos das pessoas com deficiência". Segundo a família de Genivaldo, o homem sofria de esquizofrenia e fazia uso de medicamentos há 20 anos.

No domingo, quatro dias após a morte da vítima, a coorporação emitiu um novo posicionamento dizendo que "assiste com indignação os fatos ocorridos" e que não "compactua" com as medidas adotadas durante a abordagem, nem com "qualquer afronta aos direitos humanos".  

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