Governo federal espera pedido do Rio para combater crime

O secretário Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse hoje, no Rio, que se a governadora Rosinha Matheus pedir ajuda para combater o crime organizado, o governo federal vai colaborar. Nilmário Miranda não vê razões para uma intervenção federal e afirmou que a Secretaria não tem poderes para tomar essa decisão. Para o secretário, é do governo estadual a tarefa de acabar com a guerra entre os traficantes das favelas do Vidigal e da Rocinha, na zona sul da cidade, que já causou a morte de oito pessoas e instalou o pânico aos moradores da cidade. Nilmário é contra o envio das Forças Armadas, mas disse que a Polícia Federal está preparada para enfrentar os traficantes,caso haja uma solicitação do governo do Rio. "Não acho apropriado falar em intervenção federal. Acredito em cooperação", frisou.Ele explicou a intervenção pode ocorrer se houver um alto grau de violação dos direitos humanos e ficar caracterizadaimpunidade. Nilmário Miranda, criticou o projeto dogoverno estadual do Rio de construir muros de três metros de altura para tentar combater a criminalidade e a expansão dasfavelas da Rocinha e do Vidigal. ?Nós já passamos por isso na nossa história do Rio de Janeiro, na reforma urbana do fim doséculo XIX e início do XX, quando havia uma preocupação explícita de isolar as populações pobres, o que é um absurdo. Areforma urbana deve dar o direito da cidade para todas as pessoas?, disse Miranda. Nilmário Miranda defendeu a urgência na regulamentação de uma emenda constitucional que permita a federalização dos crimesconsiderados graves e que ferem os direitos da pessoa humana. "Uma coisa é combater o crime. Ninguém pode fugir de enfrentar o cri me organizado, que atua como terroristas. Se houver algum tipo de acidente no confronto entre a polícia e os bandidos, o Estado tem de assumir. O que não pode acontecer é pessoas inocentes serem mortas e depois apresentadas pela polícia como bandidos", ressaltou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.