Governo inicia segunda fase do Projeto Tietê

O governo paulista iniciou hoje a segunda fase do Projeto Tietê, programa de saneamento básico que abrange as áreas da saúde e do meio ambiente. A previsão de investimento da obra é de US$ 400 milhões, metade financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outra metade pela Sabesp, em parceria com o BNDES. A implantação do projeto deve ocorrer ao longo dos próximos 40 meses, de acordo com a estimativa da Sabesp, companhia ligada à Secretaria Estadual Energia, Recursos Hídricos, Saneamento e Obras.Alckmin aproveitou o evento, pela manhã, para anunciar que o governo japonês autorizou um novo empréstimo, no valor de US$ 150 milhões. O financiamento, também para a Sabesp, já estava sendo negociado com o J-BIC (um organismo do governo do Japão), desde o final de 2001. O recurso será usado para a realização de obras de coleta e tratamento de esgotos na Baixada Santista e Litoral Sul. O intermediador do pedido foi o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer."Estávamos com dificuldades para obter esse empréstimo porque havia algumas pendências entre os governos brasileiro e japonês, por conta de outros empréstimos, e ele ficou de ajudar", disse Alckmin, referindo-se a Lafer. "Ele acabou de ligar, de Tóquio, disse que já está tudo resolvido e o contrato já pode ser assinado." Segundo Mauro Arce (Energia), o processo que precede a assinatura do contrato é longo e este só deve ser fechado, de fato, no final de 2002, com a liberação do recurso em 2003.Sobre a segunda fase do Projeto Tietê, Alckmin chamou a atenção para a importância da redução da poluição nos rios Tietê, Pinheiros, e nas represas Billings e Guarapiranga, além do ganho na área da saúde. "O ponto forte do projeto é que vai tirar o esgoto de perto da casa das pessoas e levá-lo até a estação de tratamento. Com saneamento básico você evita doença e tem ganho ambiental", explicou Alckmin. A obra terá 1,2 mil quilômetros de rede coletora para fazer o transporte para as estações de tratamento."Na cidade de São Paulo, vamos passar de 90% para 96% de coleta de esgoto, serão beneficiadas mais 290 mil casas", disse Alckmin. "Se imaginarmos cinco pessoas para cada que domicílio, passará a ser coletado o esgoto de 1,5 milhão de pessoas." De acordo com dados citados pelo governador, o tratamento de esgoto na Capital vai passar de 67% para 78%. "Na região metropolitana esse número está um pouco abaixo, mas vai para 92% de esgoto coletado e 75% tratado."Capacidade ociosaAlckmin lembrou que, na primeira etapa no projeto, foram entregues as estações de tratamento de esgoto de Novo Mundo (que atende a região Norte), de São Miguel Paulista (região Leste), de Heliópolis (região Sul e ABC), e a ampliação da de Barueri (região oeste). Ele admitiu, no entanto, que essas estações estão trabalhando com capacidade ociosa. "Estão operando com 40% de sua capacidade porque não foram feitas as redes coletoras e os interceptores", afirmou.De acordo com Alckmin, nos municípios em que a Sabesp não opera, quem tem que fazer essa rede é a Prefeitura local. "A Sabesp está fazendo a parte dela, estamos começando hoje mais um este investimento em coleta, para levar o esgoto para dentro da estação de tratamento. É um desperdício ter uma estação de tratamento que não opera em plena carga porque o esgoto não chega lá", disse Alckmin, referindo-se alguns municípios do ABC, sem especificá-los.Além da rede de 1,2 mil quilômetros de coletores de esgoto, a segunda etapa do projeto prevê chegar a 2005, previsão de término da obra, tendo implantado 290 mil ligações domiciliares, 107 quilômetros de coletores-tronco e mais 33 quilômetros de interceptores. A expectativa da Sabesp é de atender 290 indústrias com o programa de controle da emissão de poluição nos afluentes.

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