Governo isola líderes da rebelião e revê visitas

Isolar as lideranças e modificar as normas de visitas nos presídios são as duas principais medidas que o governo adotará de imediato para enfrentar o poder do Primeiro Comando da Capital (PCC), a principal facção criminosa que atua nos cárceres paulistas. A organização foi responsável pela maior rebelião da história penitenciária brasileira. Iniciada domingo, ela foi controlada ontem e atingiu 25 presídios, 2 cadeias públicas e 2 distritos policiais localizados em 22 cidades. O movimento deixou pelo menos 16 presos mortos e teve a participação de 25% dos 94 mil detentos do Estado.?Nas 25 penitenciárias vamos rever os critérios de visitas?, disse o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa. Ele afirmou que será averiguado quem está entrando como visita. O governo poderá restringir o número de visitantes de cada preso para facilitar a revista. Para o próximo fim de semana, não está definido se haverá visita. ?Isso dependerá de cada diretor de prisão?, disse Furukawa. Além de rever as visitas, o governo revelou como vai isolar os líderes das facções. ?Em dez dias, teremos várias vagas no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) e construiremos mais dois presídios iguais?, disse o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi. O CRP é um presídio de segurança máxima que funciona anexo à Casa de Custódia e de Tratamento de Taubaté. Ele abrigava 160 homens e havia sido destruído em dezembro por uma rebelião chefiada pelo PCC, na qual morreram nove detentos.Nele o governo quer pôr os chefes do PCC e de outras facções. Na semana passada, após reforma parcial do CRP, cinco líderes do PCC foram retirados da Casa de Detenção de São Paulo e enviados para lá, entre eles o chefão Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra.O fim do CRP é a principal reivindicação do PCC. ?A única exigência dos presos que se amotinaram era a volta dos chefes à Detenção?, disse Furukawa. ?Não imaginávamos que a reação às transferências ia ser tão grande.? O governo não cedeu e afirma que manterá a política de isolamento das lideranças.Para tanto, o Estado conta com verba do governo federal para construir outros dois CRPs. Nessas prisões, os detentos não têm visita íntima, tomam banho de sol em pequenos grupos por 20 minutos diários e são revistados ao entrar e sair das celas.

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