Governo já avalia como punir deputados infiéis

Planalto vai atrás não só de quem votou por salário mínimo acima de R$ 545 como também de parlamentares que faltaram à sessão; PDT e petistas são os primeiros alvos

Denise Madueño e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

No dia seguinte à vitória expressiva do governo na votação do valor do salário mínimo na Câmara, os interlocutores políticos da presidente Dilma Rousseff avaliam as medidas a serem tomadas contra os deputados infiéis. Uma decisão é clara: não haverá perdão. Os primeiros alvos de cobrança serão o PDT, do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e os dissidentes do PT.

No caso petista, as punições não serão apenas para os dois que votaram a favor do mínimo de R$ 560, como também aos deputados ausentes na sessão.

Um interlocutor político de Dilma resumiu a linha a ser adotada com a base: "A fidelidade terá de ser total. Sem isso, não tem por que estar presente no governo". O governo contou com 361 votos contra 120 e 11 abstenções para derrubar a emenda que previa o mínimo de R$ 560, valor maior do que os R$ 545 concedidos no projeto da presidente Dilma. Entre os partidos da base, foram 16 votos contra o governo entre os 492 deputados que participaram da votação.

Com a virada de votos no PDT, o partido não deverá ser punido como um todo, segundo esse interlocutor da presidente, mas sim os deputados infiéis. A bancada de 27 deputados do PDT se dividiu na votação: 16 ficaram do lado do governo e 9 apoiaram o mínimo de R$ 560.

"A votação foi expressiva e as dissidências residuais. Então nós não vamos tratar isso como se tivesse tido uma articulação de dissidências. Não vou defender punição, sou da paz", ponderou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). O líder governista, no entanto, deu aval à cobrança de líderes da base. "É legítimo que os líderes defendam medidas contra o partido", afirmou.

"Todos os partidos da base estão incomodados com o PDT. Os líderes disseram que é deseducativo que todos caminhem em um sentido e o PDT, não", afirmou o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). "Queremos cobrar coerência dos partidos da base. O PDT errou na estratégia e tem que se alinhar."

Na bancada do PT, o líder deixou claro que haverá consequências. "A bancada caminhou em conjunto para uma direção e eles ficaram à margem. Isso terá uma repercussão", disse, sem especificar o que poderá ser aplicado aos rebeldes. Petistas consideram que eles poderão ser indicados para comissões sem importância, não receberão relatorias de projetos, e não terão o dinheiro de emendas para suas bases eleitorais liberado. Podem, ainda, ver demitidos seus indicados a cargos no governo.

Além dos petistas que votaram a favor de R$ 560 - Eudes Xavier (CE) e Francisco Praciano (AM) - outros sete deputados da bancada de 85 estavam ausentes na votação. O deputado Décio Lima (SC), hospitalizado, será poupado.

Praciano disse não ser dissidente. "Não traí o partido. Apoiei todos os projetos do presidente Lula e apoio Dilma. Sou petista", disse. Ele disse que o motivo principal para votar por R$ 560 foi o reajuste dado aos deputados. "Senti-me constrangido em receber um aumento de quase 62% e não brigar por um salário maior ao trabalhador."

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