Governo limitará vôos em Congonhas

Executivo deve anunciar saída da aviação geral do aeroporto; pista principal ainda não tem data para ser liberada

O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Pressionado pela opinião pública, o governo apresentará hoje um pacote de medidas para tentar resolver os problemas no Aeroporto de Congonhas, palco da tragédia do vôo 3054 da TAM. Entre as medidas de curto e médio prazos, uma promete provocar polêmica: o governo quer que a Anac e a Infraero imponham uma redução no número de vôos dos atuais 44 por hora para, no máximo, 36 por hora. Os demais vôos, incluindo todos os da chamada aviação geral, seriam transferidos para Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas. O pacote será fechado hoje, durante reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), no Ministério da Defesa. Se o Planalto conseguir arrancar essa decisão da reunião do Conac, significará uma derrota para a Anac, que nunca conseguiu impor essas medidas, defendidas por parte de sua diretoria e pela Infraero. Mais: Lula poderá comprar uma briga com as companhias aéreas. Da manhã até a noite, o presidente, ministros e assessores fizeram várias reuniões no Palácio do Planalto, preparatórias para o encontro do Conac. Na reunião da coordenação política, Lula chegou a tratar, em detalhes, sobre o que deveria ser feito em Congonhas. Foi nesse encontro que o presidente mencionou a possibilidade de tirar desse aeroporto os aviões de pequeno porte, como jatinhos particulares e de aluguel, além daqueles de grandes companhias que fazem a ligação com outros Estados. Medida semelhante foi tomada em Belo Horizonte, onde a maioria dos pousos e decolagens foi transferida do Aeroporto da Pampulha, no centro da cidade, para Confins, a 42 quilômetros da capital. "Foi uma reunião objetiva em todos os aspectos e em todos os assuntos tratados. O presidente está empenhado e vai resolver o problema (da crise aérea) em curto prazo. Ele exige uma solução rápida", disse ao Estado o vice-presidente da República, José Alencar, resumindo a reunião com Lula e os ministros. "É claro que está todo mundo consternado. Esse é o clima do governo." PRIMEIRAS MEDIDAS As empresas tiveram de transferir vôos de Congonhas para Cumbica, após o acidente do vôo 3054 - é o caso da BRA. Com a interdição da pista principal, o limite de operações por hora atual é de 33 pousos e decolagens. E assim deve ficar até que se concluam as investigações do acidente ou se apure, com certeza, que a via não teve relação com o desastre. A decisão foi repassada ao Estado por oficiais da Aeronáutica. Segundo eles, seria impossível trabalhar com um número de operações variável - anteontem, definiu-se que a pista principal só deve abrir em dias sem chuva forte, até que se comprove que a falta de grooving (ranhuras que ajudam no escoamento da água) não teve relação com o acidente com o Airbus. Mesmo assim, o chefe do Centro de Investigações e Prevenções de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, voltou a sugerir cautela em relação a uma retomada. "Se ficar definido que poderá abrir em dias de chuvas, antes haverá a medição da lâmina d?água", afirmou. Antes da reforma, as operações eram paralisadas quando a lâmina de água medida apresentava nível superior a 5 milímetros. A previsão de conclusão total do inquérito é de dez meses, mas o brigadeiro Kersul ressaltou que só poderá ter alguma certeza sobre a relação da pista com o acidente em 30 dias. CUMBICA Numa reunião realizada na noite de quarta-feira, entre dirigentes da Anac e da Infraero com o comando da Aeronáutica, decidiu-se adiar as obras de recuperação da segunda pista do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), para março de 2008. Segundo o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, a pista de Cumbica apresenta problemas, mas haverá uma operação especial para mantê-la em funcionamento, sem que se deixem de lado as devidas condições de segurança. "Isso se deve a eventual restrição que possa existir em Congonhas. Não queremos ter em risco mais de uma das quatro pistas principais da Região Metropolitana de São Paulo", disse, destacando que os dois aeroportos operam de forma conjunta. Também à noite, a cúpula do setor aéreo decidiu antecipar a realização de ranhuras (grooving), na pista principal do Aeroporto de Congonhas. De acordo com ele, uma análise feita pelos departamentos de engenharia indicou que é possível começar o trabalho em alguns trechos iniciais da pista. ATRASOS O fechamento parcial de Congonhas voltou a afetar a malha viária de todo o País ontem. A Infraero contabilizou 506 vôos atrasados, 32,6% do total programado para o País, e 151 cancelados (9,7%). Os dados referem-se a 1.549 vôos, em 13 aeroportos brasileiros, entre zero e 19 horas. O Aeroporto de Congonhas teve o maior volume de vôos fora do horário previsto e cancelados. Até as 19 horas, 58 dos 223 vôos programados haviam atrasado (26%) e 52 foram suspensos (23,3%).

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