Governo lista 150 presos que irão para Catanduvas

O governo já levantou a existência de quase 150 criminosos espalhados pelos Estados, com o objetivo de transferi-los para o primeiro presídio federal, inaugurado no último dia 23 em Catanduvas, no Paraná. A prisão recebeu nesta quarta-feira, 19, seu primeiro hóspede, o traficante Fernandinho Beira-Mar, dirigente do Comando Vermelho, do Rio. Até esta quarta-feira, 19, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) já havia recebido pedidos de dez Estados para transferência de cerca de 100 presos problemáticos. O Estado de São Paulo pediu para elevar sua cota de 40 para 45 detentos, mas ainda não formalizou por escrito. Marcos Camacho, o Marcola, principal dirigente da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), deverá estar entre eles. O órgão montou uma logística para fazer a transferência dos detentos. Eles serão retirados dos Estados nos próximos dois meses em sigilo. Os nomes, tantos dos presos como dos estados, além dos detalhes sobre as transferências, todavia, são mantidos em sigilo por razões de segurança. "Tratando-se de criminosos desse porte, é temerário divulgar qualquer informação", explicou o diretor do Depen, Maurício Kuehne. MapeamentoCom a ajuda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Depen iniciou um programa de mapeamento permanente das cadeias de comando das facções criminosas dos presídios de todo o País. O objetivo é isolar os chefões desses grupos dos seus pontos de contato dentro e fora dos presídios. "Vamos neutralizar essas lideranças", assegurou Kuehne.Ele informou que os presídios federais receberão também os presos ameaçados de morte por outros, os que representem perigo à segurança e a disciplina carcerária e aqueles oriundos do chamado regime disciplinar diferenciado (RDD). Desse modo, funcionarão como uma espécie de regulador de estoques e aliviador das tensões que transformaram os presídios brasileiros em barris de pólvora.Estrutura Em Catanduvas, como nos demais, o presídio federal tem pouco mais de 200 celas individuais, com sete metros quadrados. Cerca de 40 delas ficarão desocupadas para receber detentos de alguma rebelião ou situação de emergência dos estados. Cada cela tem cama, mesinha, banco, prateleiras, lavatório e vaso sanitário, tudo feito de concreto.As destinadas aos detentos do RDD têm o dobro do tamanho por causa do solário, uma vez que os presos não têm direito tomar banho de sol no pátio com os demais. Detentos e advogados não terão contato físico. Separados por um vidro, eles vão se comunicar por interfones. Os presídios federais são considerados o terror dos chefes de facção, como Marcos Camacho, o Marcola, principal dirigente do PCC, que comandou os últimos levantes, desde junho, em protesto contra sua possível transferência. As próximas unidades a serem inauguradas são as de Campo Grande (MS), Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e em uma cidade a ser definida no Espírito Santo.

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