Governo livra ex-presidente da Infraero no final de CPI

Dos 23 pedidos de indiciamento, só sobraram 9, entre eles Denise Abreu

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2007 | 00h00

O governo conseguiu derrubar o relatório final de Demóstenes Torres (DEM-GO) e aprovou, na CPI do Apagão Aéreo do Senado, texto no qual foram excluídas nove pessoas da lista inicial de 23 pedidos de indiciamento. Por 6 votos a 1, o Planalto conseguiu livrar, entre outros, o ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), deputado Carlos Wilson (PT-PE). A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu permaneceu no relatório aprovado ontem. Em sua avaliação, Demóstenes acusa Carlos Wilson de ter chefiado um esquema montado na Infraero para fraudar licitações. Diz ainda ter provas de que houve favorecimento de determinados grupos empresariais, retirando o caráter competitivo das concorrências públicas. Os desvios, conforme avaliou, podem ter chegado a R$ 500 milhões. Também se livrou de indiciamentos o procurador da Anac, Paulo Roberto Gomes de Araújo. Ele era suspeito de colaborar em irregularidades na agência. Já contra Denise Abreu se manteve a acusação de fraude processual em documento que teria sido enviado à Justiça para permitir a liberação de aviões de grande porte em Congonhas. Os outros sete "absolvidos" pelo Planalto são todos da Infraero: Eleuza Terezinha Manzoni dos Santos Lores, Fernando Brendaglia de Almeida, José Wellington Moura, Marco Antônio Oliveira, Márcia Chaves, Aristeu Chaves Filho e Eurico Loyo. Pelo menos três das pessoas que escaparam da indicação de indiciamento - Márcia Chaves, Fernando Brendaglia e José Wellington - foram demitidas por irregularidades - por determinação do Controlador Geral da União, ministro Jorge Hage.O texto aprovado ainda prevê a inclusão nos pedidos de indiciamento da empresária Silvia Pfeifer, proprietária da Aeromídia, e de José de Oliveira Sobrinho, da Associação Brasileira de Mídia Aeroportuária. Ao todo, o texto aprovado com as bênçãos do Planalto sugere o indiciamento de 16 pessoas. Durante os trabalhos da comissão, solicitou-se a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Sandra Helena Draghetta Carvalho, ex-mulher de Carlos Alberto Carvalho, sócio da empresa Aeromídia, acusada de irregularidades em contratos com a Infraero. Mas o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a determinação.

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