Governo Lula tentou tirar guerrilha da agenda

O governo Lula teve oito anos para evitar a condenação do Brasil na OEA pelas mortes no Araguaia. Desde que parentes de vítimas do Exército entraram com petição na OEA há 15 anos, o Estado deixou na gaveta os principais pedidos das famílias. Ao não esclarecer as mortes, o Planalto avaliou ter compensado queixas dos quartéis pela falta de investimentos.

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

No governo Fernando Henrique, 69 famílias tiveram direito a indenização de R$ 100 mil e se estabeleceu a responsabilidade do Estado. Ainda no governo tucano e no mandato de Lula, a política de indenizações, que tinha como objetivo atenuar a pressão das vítimas e seus familiares, transformou-se em pagamentos milionários a pessoas que disseram ter sofrido danos morais e materiais, bem longe da mata do Araguaia. Lula nada fez. A Advocacia-Geral tentou derrubar três vezes uma decisão judicial que determinou a abertura de documentos. Lula costuma dizer que militares lhe garantem que não há mais papéis. O dado concreto é que Exército e Marinha não mostram os arquivos de seus serviços de inteligência,

A pedido de Lula, o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, evita falar da Lei da Anistia, dos anos 1970, que perdoou torturadores. A lei desrespeita a Convenção de Genebra relativa a prisioneiros, assinada pelo Brasil 20 anos antes. Dos 69 guerrilheiros mortos, 41 foram executados na prisão.

Só em 2005, na crise do "mensalão", o governo se moveu. O então secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, fez busca de corpos. A ação não teve sucesso. Em 2006, Lula disse que "a ditadura no Brasil não foi tão violenta como em outros países".

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