Governo minimiza ligação de 2 petistas com o escândalo

Para tentar blindar a campanha de Dilma, integrantes do Planalto e da Receita fixam-se em detalhes técnicos

Renato Andrade, Tânia Monteiro e Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

O governo minimizou a comprovação do envolvimento de dois filiados ao PT na quebra de sigilos fiscais de dirigentes do PSDB e da filha de José Serra. Na busca de uma blindagem para a campanha de Dilma Rousseff (PT), representantes do Palácio do Planalto e da Receita Federal se fixaram em detalhes técnicos para reduzir a importância dos dez acessos feitos aos dados do vice-presidente tucano, Eduardo Jorge, por um petista de Minas Gerais. Até mesmo a velha tese da existência de um balcão de negócios envolvendo o Fisco de São Paulo foi ressuscitada.

Logo pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mostrar que o analista da Receita Federal em Formiga (MG), Gilberto Souza Amarante, havia acessado apenas os dados cadastrais - como nome, endereço e telefone - de Eduardo Jorge. Como revelou o Estado no domingo, o analista fez dez acessos aos dados do tucano no dia 3 de abril de 2009, em menos de um minuto. Amarante é filiado ao PT desde 2001.

O primeiro filiado ao PT envolvido na quebra de sigilo dos tucanos foi o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, que usou procuração falsa para ter acesso aos dados da filha do presidenciável José Serra (PSDB), Verônica. Atella foi filiado ao PT de Mauá (SP) entre 20 de outubro de 2003 e 21 de novembro de 2009. O pedido do contador para acessar os dados de Verônica foi feito em setembro do ano passado, quando ainda pertencia ao PT.

Eleitoral, não. Apesar do envolvimento dos dois filiados, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, condenou a vinculação dos episódios à campanha eleitoral. "O governo não pode e não admite que isso seja tratado como uma questão eleitoral", disse o ministro após reunião com o presidente Lula. Padilha acusou a oposição de tentar transformar os fatos ocorridos em abril e setembro de 2009 em "palanque eleitoral".

A estratégia adotada para diminuir a importância do envolvimento de um petista de Minas Gerais no escândalo foi reforçada no meio da tarde pela Corregedoria da Receita. O chefe do órgão, Antonio Carlos D"Ávilla, disse em rápido pronunciamento que os dados fiscais de Eduardo Jorge não foram acessados pelo analista de Formiga. "A Corregedoria verificou que não houve acesso às informações fiscais."

D"Ávilla fez a declaração na porta do Ministério da Fazenda e não respondeu a perguntas. Os motivos que levaram o analista mineiro a acessar o cadastro de Eduardo Jorge, que tem domicílio fiscal no Rio de Janeiro, não foram explicitados. As investigações sobre o novo caso estão sendo conduzidas pelo escritório da Corregedoria em Belo Horizonte (MG) e todas as informações foram repassadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.

O presidente Lula reforçou durante a reunião de coordenação política ontem que a PF apure de forma prioritária os casos de violação fiscal. Apesar disso, a própria PF já avisou que não vai investigar o caso de Formiga. Como Amarante teria acessado apenas os dados cadastrais de Eduardo Jorge, não teria ocorrido uma violação fiscal.

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