Governo não aceitará ultimatos da Bolívia, diz Garcia

O ex-assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que atualmente coordena a campanha presidencial petista, negou nesta segunda-feira que tenha havido algum tipo de ultimato por parte da Bolívia envolvendo as negociações do fornecimento de gás natural para o Brasil. "Não existe ultimato coisa nenhuma. Não existe ultimato até porque o governo brasileiro não aceita ultimatos", disse Marco Aurélio, que participou de um debate com o coordenador da campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência, senador Sérgio Guerra, promovido pela Folha de S. Paulo.Questionado sobre qual será a resposta do governo brasileiro em relação a este assunto, Marco Aurélio disse que grupos do governo estão conduzindo as negociações e que se não houver acordo a Petrobras se retirará da Bolívia. "Se não houver acordo a Petrobras se retirará da Bolívia. É muito simples", afirmou Marco Aurélio. De acordo com ele, caso isso ocorra a Bolívia será indenizada "ou pela vontade do governo boliviano, ou em função de tribunais internacionais". "Não há nenhuma dificuldade neste problema", completou.DebateNo debate, Marco Aurélio e Guerra intercalaram, com ataques, o aprofundamento de questões programáticas relacionadas às duas candidaturas. Um dos temas que resultou em uma elevação do tom dos dois lados foi a questão das privatizações que tem ganhado força na reta final da corrida presidencial.Repetindo o discurso que vem sendo feito pelo presidente Lula, Marco Aurélio disse que está "no DNA" de Alckmin o histórico de privatizações conduzidas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e na gestão tucana no governo paulista.Guerra, por sua vez, insistiu que esta teoria não passa de uma "mentira" lançada pela campanha petista. "Esta agenda de privatização é certamente a agenda do presidente Lula no segundo turno", disse Guerra, acrescentando, no entanto, que não é contrário à forma como estatais foram privatizadas no governo FHC. "Não temos nada contra privatização, não", disse o senador, insistindo por outro lado que não há planos neste sentido para o futuro.Marco Aurélio, por sua vez, negou que o PT esteja conduzindo uma estratégia de "terrorismo eleitoral". "Ele (Alckmin) se inscreve nesta linha, não é terrorismo político como se pretende dizer", afirmou o coordenador da campanha petista.

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