Governo não pode deixar que a PM vire a 'Geni', diz Beltrame

Secretário admite que a morte do menino João Roberto deixa sem argumento qualquer tipo de explicação

Solange Spigliatti, estadao.com.br

10 de julho de 2008 | 11h55

Depois de assistir ao emocionado relato dos pais do menino João Roberto Soares, morto na última segunda-feira depois de ter sido atingido na cabeça durante uma ação policial na Tijuca, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, adotou a estratégia de defender a imagem da Polícia Militar fluminense, também durante o programa Mais Você, da TV Globo.  Veja também:Mãe de garoto morto por PM desabafa: "eu não desculpo"PMs que mataram garoto têm prisão temporária decretadaCórneas do menino morto são últimas do banco de olhos do Rio "Esse fato foge das raias do despreparo e vai para uma insanidade. Não há uma justificativa plausível. Os próprios colegas do batalhão estão estarrecidos com essa situação. Essas pessoas fatalmente serão expulsas da corporação. Eu como secretário tenho que ter muita força e acreditar no meu trabalho", disse Beltrame.  Segundo o secretário, o Rio "está vivendo um momento muito sério de mudanças, onde os índices de criminalidade têm a tendência de queda e ainda temos trajetórias oceânicas para fazer mas não podemos deixar que a policia militar vire a 'Geni' com isso. A PM atende cerca de 1.700 ocorrências por dia." O secretário afirmou que "o ato bárbaro, insano, digno de expulsão desses policiais, joga por água abaixo todo o trabalho e não podemos permitir que se de uma certa forma se apedreje a polícia militar. Fico sensibilizado e agradecido a esses pais porque vi tanto da esposa como do pai que eles querem a melhora e precisamos dessa parceria". Beltrame admitiu que a morte do menino João Roberto deixa sem argumento qualquer tipo de explicação que o governo pode dar à sociedade. "Isto tem tocado a gente como administrador público. Tenho filhos também e isso nos sensibiliza e qualquer argumento que se use não vai trazer de volta esta criança;. Isto é uma chaga que não vai se cicatrizar, mas a minha garantia como cidadão, como profissional e como policial há 30 anos de serviço , e como uma pessoa apaixonada pelo Rio, embora não seja daqui, estamos trabalhando diuturnamente para melhores dias", disse.

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