Governo não tem como investir em transporte, diz Olívio Dutra

O ministro das Cidades, Olívio Dutra, defendeu nesta terça-feira a articulação entre União, Estados e municípios para melhorar as condições do transporte urbano nas grandes cidades. Segundo ele, o transporte é uma "área de interesse público inquestionável" e necessita de ações integradas. Apesar disso, explicou que o governo federal, neste momento, não tem como investir na expansão do transporte público.Ele se referiu aos problemas enfrentados pela atual administração para reestruturar o sistema na cidade de São Paulo. Para o ministro, cabe à Prefeitura adotar novas regras para exploração do sistema, compatíveis com o orçamento. "O transporte requer subsídio público. União, Estados e municípios têm de estar articulados na organização de uma política, com investimentos e chamando a iniciativa privada."Apesar do discurso, Dutra afirmou que, no momento, o governo federal não tem condições de contribuir para expansão dos meios de transporte de massa, como a expansão do metrô paulistano, citado por ele como exemplo de eficiência. "No momento, não há recursos disponíveis."Em relação ao novo sistema de ônibus na cidade, Dutra voltou a afirmar que o governo federal pode abrir linhas de crédito por intermédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação da frota e outros investimentos. "O volume de recursos pode não ser o sonhado, mas é o possível."Os técnicos do banco consideram muito os R$ 2 bilhões requisitados pela prefeita Marta Suplicy (PT) para serem aplicados nos próximos dez anos. O ministro passou o dia em São Paulo. Durante a manhã, participou de dois debates sobre habitação popular, organizados pela Prefeitura.Foram discutidas propostas e ações articuladas entre o ministério e a sociedade civil para o desenvolvimento de políticas habitacionais.Um dos assuntos abordados pelo ministro durante a entrevista foi a necessidade de fazer um mapeamento das áreas de risco do País. "É preciso haver uma política de prevenção à ocupação de áreas de risco, que não podem ser utilizadas como moradia."A afirmação foi uma referência às várias tragédias ocorridas no Sudeste, durante as chuvas. A cidade de São Paulo, por exemplo, não possui um estudo detalhado dessas áreas.Outro estudo, mais amplo, refere-se a todas as áreas públicas do País.A proposta, segundo o ministro, exige uma ação articulada do governo e órgãos como o Ministério Público. O objetivo é evitar a ocupação desordenada e ilegal de terrenos públicos. "As autoridades não têm conhecimento dessas áreas", disse. "E a esperteza dos interesses privados tem se aproveitado disso."À tarde, Dutra e a prefeita visitariam um terminal de ônibus, um loteamento e a Favela Paraisópolis, na zona sul. Em seguida, se encontrariam com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e seria assinado um termo de cooperação para o desenvolvimento de programas habitacionais.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministérios

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