Governo no Rio se atrapalha com presos no Batalhão de Choque da PM

O governo do Estado do Rio não se entende quanto à custódia, aos direitos e punições dos presos detidos no Batalhão de Choque da Polícia Militar. Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, Renato de Paula, o Ratinho, e outros três presos estão lá desde a rebelião em Bangu 1, dia 11 de setembro. Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, foi levado para o abrigo provisório na quinta-feira passada, após ser preso em megaoperação da Polícia Civil. A cada dia, uma secretaria de Estado impõe diferentes normas de conduta e restrições aos detentos, atropelando a comunicação interna no governo. Uma "intervenção branca" da Secretaria de Segurança sobre a de Justiça lhe transferiu a administração desses presos.Mas a confusão e os desmandos permanecem. Logo após o motim, a Segurança Pública estabeleceu um regime disciplinar rigoroso para os rebelados. Sexta-feira, o novo diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) - subordinado à pasta da Justiça -, major Hugo Freire, informou que a punição acabaria no dia seguinte. Logo foi desautorizado pelo secretário de Segurança, Roberto Aguiar, que manteve as restrições como proibição de visitas - normais e íntimas - e os banhos de sol. O comandante-geral da PM, Francisco Braz, disse hoje que os presos estão proibidos de receber visitas até de advogados, determinação que não vem sendo cumprida. Advogados e prisioneiros protestam e apontam violações da Lei de Execuções Penais no tratamento imposto.Em duas semanas, o quartel da PM se tornou a principal "prisão" de segurança máxima do Rio e passou a abrigar os criminosos mais perigosos do Estado - primeiro, os líderes da rebelião de 11 de setembro e, depois, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. As críticas vêm de todos os lados. Na semana passada, o corregedor da PM, Aldney Peixoto, afirmou que não há condições de segurança no local. Hoje, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio, Octavio Gomes, atacou o local."Não pode abrigar nem um simples trombadinha, quanto mais os criminosos mais perigosos do Estado. É uma irresponsabilidade. O batalhão não é de segurança máxima." Na sua opinião, a manutenção dos presos lá fere a Lei de Execuções Penais, porque não é um presídio, mas um local para policiais militares que cometeram atos de indisciplina. "Por que não se adapta um outro presídio? Só existe Bangu 1? E as obras em Bangu devem ser de manhã, tarde e noite, fins de semana e feriados, para voltar a operar o mais rapidamente possível." Para o secretário de Segurança, Roberto Aguiar, as críticas "não têm sentido" e o batalhão é "absolutamente seguro".O traficante Elias Maluco, preso no Choque desde a quinta-feira, disse hoje a seu advogado, Jorge Luiz Souza, que não tem privacidade no cárcere. Reclamou de fotógrafos e cinegrafistas que têm feito imagens dele quando toma banhos de sol. Ele voltou a negar a participação no assassinato do repórter da TV Globo Tim Lopes - disse que estava em um hotel no Espírito Santo na ocasião. Seu advogado afirma que Elias tem direito a visitas, embora tema recebê-las por não querer expor a família. Segundo o traficante, a voz gravada em interceptações telefônicas da Polícia Civil não é dele porque não parou de usar celular desde a morte de Tim Lopes.LigaçõesO Ministério Público do Estado, que investiga a quadrilha de Fernandinho Beira-Mar, informou hoje que o traficante João Batista de Faria, preso pela polícia de São Paulo, e seu irmão, Claudair, ainda foragido, não são citados nos inquéritos sobre o traficante do Rio. O MP desconhece supostas ligações entre os dois criminosos e Beira-Mar.A chefe do setor de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil fluminense, Marina Maggessi, também disse não ter informações sobre a quadrilha dos irmãos Faria. A polícia de São Paulo acusa o criminoso de ter ligações com Fernandinho Beira-Mar. Faria foi detido no domingo em um sítio, após quatro meses de investigações. Com ele, foram apreendidos 430 quilos de cocaína.

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