Governo omitiu por 48h morte de passageiros da Gol, diz <i>IstoÉ</i>

O governo já sabia que a queda o Boeing 737-800 da Gol, em 29 de setembro, no Mato Grosso, não tinha deixado sobreviventes mas demorou 48 horas para revelar a informação. Segundo a revista Isto É, enquanto os parentes dos 154 passageiros aguardavam notícias da colisão entre o Boeing e um jato Legacy, a cúpula da Aeronáutica, da Infraero e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já estava certa de que o acidente tinha resultado em tragédia.Durante os dois dias em que o País aguardava por notícias de sobreviventes, cinco homens do Para-Sar, o esquadrão de elite da Aeronáutica, desciam de rapel no local da queda, de acordo com a revista. "Os homens desceram de rapel e pernoitaram. Passaram a noite lá, junto (dos corpos), numa operação extremamente complicada", declarou o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereiral, à IstoÉ. Pereiral justificou a demora em confirmar a tragédia dizendo que "é difícil dar a primeira notícia às pessoas", mas acha, no entanto, que uma avaliação sobre o caso talvez se faça necessária futuramente.Quase dois meses após o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, as investigações continuam apontando para uma sucessão de falhas que teriam provocado a tragédia. Um relatório final só deve ser divulgado em oito meses, mas já é possível dizer que houve falha de comunicação em Brasília e falta de funcionamento adequado do transponder. Especula-se também que pode ter contribuído para provocar a tragédia é um diálogo impreciso entre a torre de controle de São José dos Campos, local de onde partiu o jato, e os pilotos do Legacy.Logo após a tragédia da Gol, como é praxe em casos de acidentes, ontroladores de vôo de Brasília entraram em licença médica.Crise nos aeroportosOs atrasos de vôos nos principais aeroportos do País começaram no dia 27 de outubro quando os controladores de tráfego aéreo do centro de controle de Brasília - o Cindacta 1 - decidiram iniciar um protesto, a chamada operação-padrão, contra a falta de profissionais. Na operação-padrão, os controladores seguem as normas internacionais que determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves simultaneamente. Antes da operação, cada controlador chegava a monitorar até 20 aviões ao mesmo tempo. Com isso, o intervalo entre os pousos e decolagens aumentou, provocando uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos em terminais aéreos de todo o País.O colapso no tráfego aéreo ocorreu no dia 2 de novembro, feriado de Finados, quando cerca de 600 vôos sofreram atraso. Milhares de passageiros sofreram com esperas de até 20 horas e os prejuízos chegaram até à rede hoteleira.

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