Governo paulista não quer Beira-Mar no Estado

A novela sobre o destino do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, recomeçou, com a decisão, anunciada ontem, do juiz-corregedor dos presídios de São Paulo, Miguel Marques e Silva, de acolher pedido da defesa e determinar a saída do traficante do isolamento do regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em que estava na Penitenciária de Presidente Bernardes. Beira-Mar deve ser transferido para qualquer presídio de segurança máxima do Estado que não tenha RDD, onde está internado há oito meses. Diante da decisão do juiz-corregedor, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não vê mais sentido em manter Beira-Mar no Estado: "Se for para sair do regime disciplinar diferenciado, se for para ir para uma penitenciária comum, não há mais razão para ficar em São Paulo. Penitenciária comum tem em todos os Estados". O secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, explicou que o motivo de o Estado ter aceito Beira-Mar era a necessidade de colocá-lo no RDD. Com a decisão da Justiça de enviá-lo para uma prisão com sistema comum de cumprimento de pena, não haveria mais sentido para a permanência do traficante em São Paulo. Caso a decisão seja mantida pelo Tribunal de Justiça, o secretário afirmou que vai "diligenciar para que o preso retorne ao seu Estado de origem ou onde ele responde processo". Rio e Minas Estado de origem de Beira-Mar é o Rio, de onde o traficante veio para São Paulo. Ele está sendo processado na Justiça fluminense e em Minas. Na tarde de ontem, o secretário conversou com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a quem relatou o ponto de vista do governo paulista. Bastos não quis dar entrevista ontem sobre o caso. Enquanto a questão não é resolvida, Furukawa afirmou que utilizará integralmente o prazo de cinco dias de que dispõe para transferir o preso de Bernardes. Caberá à secretaria escolher qual será o presídio que acolherá Beira-Mar - o mais cotado é o de Iaras. O motivo da saída do traficante do RDD é simples: a portaria que criou o sistema prevê que um preso só pode ficar isolado por seis meses. Além desse prazo, só é possível mantê-lo sob esse regime em caso de nova falta grave. Desde que chegou a Bernardes, Beira-Mar não cometeu nenhuma nova falta grave.

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