Governo pode criar Pronasci para Olimpíada, diz Tarso

Não haverá limites para ajudar no combater à violencia, afirmou; ministro cobrou Rio por mau uso de material

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2009 | 10h07

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta quinta-feira, 29, que o governo federal poderá lançar um "Pronasci especial" (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) voltado para preparar o Rio de Janeiro para a Olimpíada de 2016. O ministro repetiu palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não haverá limites para a ajuda federal ao combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.

 

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Segundo Tarso Genro, nos próximos dez dias uma equipe do Ministério da Justiça estará no Rio para definir com o governo Sérgio Cabral detalhes jurídicos da colaboração entre União e Estado. Uma das metas de segurança pública citadas pelo ministro para serem implementadas até 2016 é o aumento de cinco para 50 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas do Rio onde o crime organizado está instalado de forma mais efetiva.

 

"Podemos, se for o caso, fazer um Pronasci especial destinado à Olimpíada, com os recursos que forem necessários. O presidente Lula disse corretamente que os recursos são ilimitados. Não vamos traçar um limite agora. A Olimpíada é um marco temporal importante para a gente redesenhar a estrutura de segurança pública. No Rio, como explicar que há territórios controlados por quadrilhas, onde o Estado para chegar tem que ser pela violenta? Isso só pode ser produto de uma política falida, de omissão, de irresponsabilidade, ou de inapetência para tratar com questões públicas. Questões como essa não se resolvem de um dia para o outro", afirmou o ministro.

 

Segundo Tarso Genro, o Rio sofreu com "mais de 30 anos" de falência do poder público no combate ao crime. O ministro participou, no Rio, de abertura de um curso sobre Justiça de Transição.

 

Mau uso

 

Mais cedo, Tarso Genro, disse que cobrou explicações imediatas para o armazenamento em más condições de equipamentos comprados para os Jogos PanAmericanos no Rio e que estão fora de uso. Segundo ele, o material foi doado pelo Ministério da Justiça à Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Os equipamentos equivalem a 20% do valor total de R$ 90 milhões investidos pela pasta no Pan.

 

"Quero saber por que os órgãos ainda não retiraram o equipamento. Tem que verificar se houve omissão de servidores ou dirigentes. Porém, efetivamente grave é se for confirmado que estão em más condições de armazenamento. Quero explicações rapidamente. Pode até ter explicação para o equipamento ainda não ter sido transferido. Para o mau armazenamento não há. Descaso com bens da União é inaceitável", afirmou o ministro.

 

De acordo com reportagem publicada hoje no jornal O Globo, 55 esteiras de raios X e quatro portais com scanners gigantes estão se deteriorando há mais de dois anos no galpão da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal do Rio.

 

Atualizado às 12 horas para acréscimo de informações

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