Governo pode descartar medida para criar Polícia Preventiva

O governo praticamente descartou a edição de uma medida provisória para criar a Polícia Federal Preventiva e contratar seis mil homens, pagando até R$ 2,5 mil de salários. Ao invés de MP, deverá enviar um projeto de lei ao Congresso, quinta-feira, para marcar o segundo ano do Plano Nacional de Segurança Pública. O Palácio do Planalto sabe que a PF só poderá contar com esses agentes em 2003, porque é impossível fazer contratações em período eleitoral. Entre os assessores mais próximos do presidente, houve quem estranhasse o anúncio de criação da PF preventiva agora, justamente quando o candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso, pelo PSDB, José Serra, traçou como prioridade de sua administração a segurança pública. Na primeira entrevista oficial, no último domingo, Serra anunciou a contratação de pelo menos seis mil homens, proposta idêntica à da PF Preventiva. Setores do governo ressaltam que a contratação desse pessoal, no final do governo FHC, certamente impediria novos investimentos desse porte na PF, assim que o futuro presidente assumisse o cargo. Além disso, o corte de gastos decidido pelo governo dificulta adoção de uma medida despendiosa e imprevista no planejamento original.Ontem, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, conversaram cerca de uma hora, sobre o projeto que cria o braço armado da PF, que funcionará como uma espécie de polícia aduaneira, a exemplo da existente em outros países. Os novos agentes substituiriam os funcionários contratados pela Infraero- Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária que atuam na fiscalização com equipamentos de Raio X ou na conferência de identidades dos passageiros.O ministro comentou o empenho do Estado do Rio no combate ao crime organizado. "Integrantes da força-tarefa têm se reunido freqüentemente, os dados estão sendo levantados, mas são absolutamente sigilosos." Para Reale, é natural que as medidas não repercutam imediatamente na população. "O crime organizado está estruturado há muitos anos e, portanto, não será um levantamento de dados feito em 15 dias que vai permitir uma ação planejada."

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